Monday, 7 June 2021

Trupe Chá De Boldo ‎– Presente (2015)

Style: Psychedelic Rock, Indie Pop
Format: CD, Vinyl, FLAC
Label: Not On Label

Tracklist:
01.   Jovem-Tirano-Príncipe-Besta
02.   Meu Tesão É Outro
03.   Diacho
04.   O Fim É Só O Começo (Coração)
05.   Smex Smov
06.   Fogo Fogo
07.   Cine Espacial
08.   Lampejo
09.   Moremáximo
10.   Amores Vão
11.   O Fim É Só O Começo
12.   Aos Meus Amigos
13.   Uma Banda

Credits:
Tenor Saxophone – Mumu
Alto Saxophone, Soprano Saxophone – Remi Chatain
Baritone Saxophone, Flute – Cuca Ferreira
Electric Bass – Felipe Botelho
Electric Guitar – Gustavo Cabelo, Tomás Bastos
Drums, Drum Programming – Pedro Gongom
Percussion – Guto Nogueira, Rafinha Werblowsky
Producer – Gustavo Ruiz

Independente do conservadorismo do consumidor, cada vez mais adepto da redundância da vez, e conformismo da imensa maioria das bandas, e vocalistas, de pop/rock no Brasil, aqui, ali, há invenções, reinvenções e espírito de aventura. Não por acaso, boa parte dos artistas que seguem esta trilha, caminho inverso do fácil, está em São Paulo, em nomes como Tatá Aeroplano, Filarmônica de Pasárgada, e a Trupe Chá de Boldo. Este último acaba de lançar o terceiro álbum, Presente (Pommelo), disponível para download no site do grupo. A policromia sonora reflete a torre de Babel caótica que é a maior cidade da América do Sul. A Trupe Chá de Boldo vai de tudo: música paraense, rock, samba e o que mais possa se pensar. É óbvia a influência tropicalista ao estilo Tom Zé, de quem a Trupe é parceira (palpável na faixa Smex smov). Jovem-tirano-príncipe-besta, que abre o disco, é um rock lento, que segue aparentemente convencional, entram sopros e metais, acelera-se o andamento, e música acaba bruscamente. Ecos da Vanguarda Paulistana, em Meu tesão é outro, Arrigo Barnabé e Frank Zappa, com sotaque paulistano. O carimbó Diacho não é carona no suingue alheio, a levada é um meio para um fim, a ironia e o escracho. Claro, assim como na capa do disco, há dadaísmo em excesso, às vezes, letra e interpretação são engraçadinhas em demasia. Mas Presente, assim como Bárbaro (2010), e Nave manha (2012), é instigante. Não deixa o distinto ouvinte passivo. Reage-se de alguma forma à música da Trupe, contra, ou a favor. Não dá para ficar impassível ouvindo o grupo, que tem em Gustavo Galo, o principal compositor do grupo. Ou melhor, do coletivo, já que além dos integrantes, mais ou menos fixos, tem participações de músicos que se identificam com a mesma inquietação estética, Tatá Aeroplano, Iara Rennó, Marcelo Segreto (Filarmônica de Pasárgada). A produção é de Gustavo Ruiz, outro da turma. “Uma banda grande é demais/não cabe no elevador/não cabe no camarim/não cabe no estúdio/não cabe nos Jardins”, versos de Uma banda, que fecha o disco. Talvez a banda seja grande demais, certamente não cabe na mesmice quase generalizada da nova MPB, mas é de muito bom tamanho para mexer com o coro dos contentes.
José Teles / JC