Thursday, 25 February 2021

Robert Fripp ‎– Network (1985)

Style: Alternative Rock, Synth-pop, Ambient 
Format: Vinyl, Cass.
Label: EG, Polygram, Polydor

Tracklist:
1.   North Star
2.   Water Music I
3.   Here Comes The Flood
4.   God Save The King
5.   Under Heavy Manners

Credits:
David Byrne - Guitar, Vocals
Phil Collins - Drums
Paul Duskin - Drums
Brian Eno - Synthesizer
Peter Gabriel - Composer, Piano, Vocals
Daryl Hall - Composer, Vocals
Buster B. Jones - Bass
Tony Levin - Bass
Robert Fripp - Composer, Frippertronics, Guitar, Producer


You might remember the BASF commercial from a few years ago where the tagline was “We Don’t Make the ______, We Only Make it Better”. That’s usually the thankless job of background musicians and producers. On many occasions, a producer is a musician also. In the case of Robert Fripp, he has been a member of The Leauge of Gentleman and one of the founders of the legendary prog rock band King Crimson. In those bands, he has acted as leader, producer, and musician. Despite that deep history in the word of rock, most people would be hard pressed to name one song by him.

Fripp is at his best when he’s collaborating (often as a producer). I have found that on many of the projects he has worked on with various artists, his contribution is what ends up making that particular track or album a standout. It’s easy to pick out, usually in the form of a subtle departure from the approach of the artist he’s working with. Yet it is also difficult to peg in any general terms as Fripp is so versatile. His music can range from placid abstractions to jarring funk ( just listen to the song “Exposure”).

For anyone wanting a quick intro into Fripp’s genus, a frustratingly short 20-minute compilation called Network is a great place to start. It includes collaborations with Peter Gabriel, Phil Collins, Brian Eno and oddly enough Daryl Hall of Hall & Oats.

While Fripp is best known for experimental work, like the kind of music you might hear at an art installation, the songs included here are more pop-oriented. In some cases, the music is a surprising juxtaposition of rock, pop, and soul creating a Fripp-centric style of the avant-garde.

You can’t get any more pop than Daryl Hall, yet his song “Northstar” has an undeniable edge that comes with Fripp’s involvement, while maintaining Hall’s Philly Soul roots thanks to his soaring falsetto and inflections. It’s the album’s most beautiful if the not accessible song. Another equally powerful track is soberer “Here Comes the Flood” which pairs Peter Gabriel, who is a musical force in his own right, with Fripp in a beautiful but grim tale of possible ecological apocalypse. It has the haunting gritty sound that Gabriel would fully exploit on songs like “Dirt” and “Steam” on his LP So years later.

The rest of the album features contributions from Genesis singer/drummer Phil Collins. Songs from Fripp’s other band, League of Gentleman’s God Save The King are featured as well as a random sample from other projects. It’s all too short of an intro but gives some insight to Fripp’s ability to stay aloft in the world of the progressive musician while still coming down to earth to enhance pop music by giving it an edge.

The Network album itself is difficult to find, yet is rewarding for those willing to dig deep enough (just search Spotify). Just as rewarding is hearing the album’s contributors sometimes out of their normal context. You can follow Daryl Hall’s Sacred Songs and Peter Gabriel’s second self-titled album as two good starting points to hear further Fripp involvement. As for Fripp’s own albums, they continue to be excellent examples of versatility and innovation making him all the more likely to be the element behind great music from somebody else – just like the line from the BASF commercial about not making things, but making them better.

José Mário Branco ‎– Mudam-se Os Tempos, Mudam-se As Vontades (1971)

Genre: Folk, World, & Country 
Format: CDVinyl
Label: EMI, Guilda Da Música

Tracklist:
01.   Abertura (Gare D'Austerlitz)
02.   Cantiga Para Pedir Dois Tostões
03.   Cantiga Do Fogo E Da Guerra
04.   O Charlatão
05.   Queixa Das Almas Jovens Censuradas
06.   Nevoeiro
07.   Mariazinha
08.   Casa Comigo Marta
09.   Perfilados De Medo
10.   Mudam-se Os Tempos, Mudam-se As Vontades

Credits:
Double Bass – Willy Lockwoode
Acoustic Guitar, Handclaps, Choir – José Mário
Arranged By, Directed By – J. M. Branco

O fenomenal álbum de estreia de José Mário Branco, é um dos melhores álbuns de sempre da música portuguesa. 
Muito se fala sobre álbuns de estreia com uma aura diferente. Talvez porque, normalmente, contêm todos os elementos de surpresa, mais fúria criativa e são menos controlados por estratégias de mercado. Se a isso juntarmos o contexto político e, precisamente, a estratégia de mercado que poderia haver, um dos grandes álbuns de estreia não só da música nacional, mas também internacional é “Mudam-se Os Tempos, Mudam-se As Vontades” (o tema título é baseado no poema do nosso maior poeta – Luís Vaz de Camões), que José Mário Branco gravou em Paris, em 1971, durante o período em que esteve em exílio (1963-74).

Há quem o chame o “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band” da música portuguesa. Este não é um álbum pontuado por psicadelismo, mas o sentido de fusão e experimental que denota – com as miscigenação de estéticas provenientes do fado, do folk (mesmo duma estética medieval) e do blues – tornam-no num marco de composição e som na história da nossa música.

Para lá da expressão social que denotava, com muitas das letras escritas por Sérgio Godinho, como “Cantiga Para Pedir Dois Tostões”, “O Charlatão” ou “Queixa Das Almas Jovens e Perdidas” (da poetisa e romancista Natália Correia) e “Perfilados de Medo” (de outro grande, Alexandre O’Neill), fazia a exclamação das dores de um país através de música genial, que depois outros começaram a chamar revolucionária – à laia de, musicalmente, justificarem banalidades criativas. Também José Mário Branco escreve, “Nevoeiro” e “Mariazinha”, e bem, mas o centro aqui é mesmo musical – e com todo o respeito por tantos grandes músicos que surgiram na contra-resposta cultural à opressão do Antigo Regime, este álbum é a obra-prima surgida nesse contexto.

Vibrante, melodioso, mordaz ou lamentoso – quer lírica, quer musicalmente – este álbum potenciou a herança de Zeca Afonso, porque lhe acrescentou a intensidade da electricidade e amplificou as palavras muito para além da simplicidade canto e viola, enquanto as raízes “rockeiras” e o groove que pontifica em alguns temas ridicularizam a banalidade do “yé-yé” tão popular na altura e que, curiosamente ou não, tem sido revivido nestes tempos.

Um álbum impressionante!
NERO / Arte Sonora

Banda Do Casaco ‎– INTEGRAL VOL. 2 (2013)

Style: Folk, Psychedelic Rock, Prog Rock, Jazz-Rock
Label: Companhia Nacional De Música

CD1 - No Jardim Da Celeste (1980)

1-01.   Argila De Luz
1-02.   Estranha Força
1-03.   Barquinha De Lua
1-04.   Ai Se A Luzia
1-05.   Natação Obrigatória
1-06.   Liliana Nibelunga (A Bruxa Boa)
1-07.   Madrasta
1-08.   É Ouvi-los

CD2 - Também Eu (1982)

2-01.   Salvé Maravilha
2-02.   Sedução
2-03.   Sétimo Dia
2-04.   Crença
2-05.   Alcateia I
2-06.   Alcateia II
2-07.   Alcateia III
2-08.   Esvoaço Em Lorilai
2-09.   Assim

CD3 - Banda Do Casaco Com Ti Chitas (1984)

3-01.   Cantilena Da Consolação
3-02.   Consilação
3-03.   Lugar Do Ínicio
3-04.   Almutante
3-05.   Veaveza
3-06.   Dono Da Noite
3-07.   Aguaceiro
3-08.   Bailemos
3-09.   Nossa Sinhora D'Azenha
3-10.   Salvé Maravilha II
3-11.   Matar Saudades
3-12.   Música Do Sol
3-13.   Quando Eu Era Pequenina
3-14.   Cantilena
Credits:
Reissue Producer – Nuno Rodrigues
Remastered By – José Fortes

Integral Vol. 1 & Integral Vol. 2 Banda do Casaco CNM Pode pensar-se na Banda do Casaco como um ponto de encontro: António Pinho, com a Filarmónica Fraude, tinha ensaiado uma aproximação à música tradicional portuguesa vindo de um contexto pop; por outro lado, Nuno Rodrigues, partindo dos medievalismos de recorte erudito dos seus Música Novarum procurava chegar ao mesmo destino. O encontro dos dois na Banda do Casaco, nas vésperas da revolução de 1974, cumpridas que estavam as suas obrigações militares, representou o culminar dessa mútua aproximação a um terreno comum que os inspirava a re-imaginar a nossa condição e identidade.

A Banda do Casaco, através da chancela da Companhia Nacional de Música de Nuno Rodrigues, vê agora recolocada no momento presente a sua obra integral em duas cuidadas caixas - uma negra e outra vermelha - onde aos sete álbuns que editaram se adiciona um oitavo de título Origens... que reúne parte da pré-história deste projeto, compilando material dos Música Novarum, de Daphne e dos Family Fair, um DVD com material de arquivo diverso e livros com textos contextualizantes assinados por Nuno Galopim e pelo próprio Nuno Rodrigues e ainda mais dois tomos onde se reúnem as letras de todos os álbuns e respetivas fichas técnicas. José Fortes, técnico em boa parte das gravações originais da Banda do Casaco, assegura um rigoroso restauro áudio dos masters originais (exceção feita a Hoje Há Conquilhas, Amanhã Não Sabemos cujos masters se encontram até hoje perdidos e que por isso mesmo foi transcrito de cópias de vinil), funcionando assim como a proverbial cereja em cima do metafórico bolo que estas reedições representam.

A Banda do Casaco é um daqueles casos que beneficia claramente da imersão no estado que Simon Reynolds descreveu como "retromania": surgidos num tempo de estandartes, estes discos, que se editaram entre 1975 e 1984, nunca alcançaram o sucesso que mereciam, sendo ultrapassados em termos de impacto pelas mais engajadas vozes do canto livre, num primeiro momento, e, logo depois, pela explosão rock que assolou o país após 1980. Os anos que se foram acumulando em cima do derradeiro registo da Banda do Casaco, Com Ti Chitas, lançado em 1984, permitiram um lento mas inevitável reencontro com esta música que foi merecendo referências crescentemente elogiosas por parte de quem, na blogosfera, se foi dedicando a documentar o lado mais secreto do passado. Como acontece com alguns vinhos, também a música da Banda do Casaco beneficiou desse tranquilo passar do tempo nas caves da memória, emergindo agora como uma obra plenamente realizada, onde os textos, a música e os arranjos serviam ideias arrojadas, desalinhadas, como cuidam de referir hoje os seus responsáveis originais (ver página 68). O surrealismo das letras, por um lado (com imperatrizes que por um triz não são meretrizes), e o arrojo musical, por outro, também elevam a obra da Banda do Casaco a um patamar singular na história da música portuguesa. De facto, faz algum sentido que esta música tenha falhado o alvo de um grande público, pois não pretendia impor nenhuma cartilha ideológica nem forçar uma rutura geracional. Ouça-se "País: Portugal", retrato agudo de um "país fardado à força", ou "Salvé Maravilha", sopa no mel de uma discografia praticamente imaculada, para se perceber que esta música só se servia a si mesma, sem reconhecer sincronismos com nenhum dos seus contemporâneos. Banda do Casaco: orgulhosamente só. E basta.
Rui Miguel Abreu / Blitz