Monday, 22 February 2021

José Mário Branco ‎– Margem De Certa Maneira (1972)

Genre: Folk, World, & Country
Format: CD, Vinyl
Label: Guilda Da Música, Diapasão, Parlophone

Tracklist:
1.   Por Terras De França
2.   Engrenagem
3.   Aqui Dentro De Casa
4.   Margem De Certa Maneira
5.   Cantida Da Velha Mãe E Dos Seus Dois Filhos (Mãe Coragem)
6.   Sant´Antoninho
7.   A Morte Nunca Existiu
8.   He ! Companheiro

Credits:
Cello – Benedetti
Trumpet – Michel poli
Horn – Alain Noël
Violeta – Leahnie
Viola – José Mário Branco
Trombone – Maurice Cevrero
Acoustic Guitar – Denis Lable
Bass Guitar – Christian Padovan
Organ – M.J. Veloso
Percussion – Michel Delaporte
Crumhorn – Jacqueline Ritchie
Violin – D'Agostino, Stepczak
Flute – Marie-Noëlle Gondry
Piano, Accordion, Harmonica – Gilbert Roussel
Acoustic Guitar, Twelve-String Guitar – Olivier Bloch-Lainé
Accordion – Gilbert Roussel, José Mário Branco
Backing Vocals – Adriano Correia De Oliveira, M.J. Veloso
Arranged By, Directed By, Vocals – José Mário Branco

O que guardamos de um criador para além do resultado mais visível daquilo que cria?

À margem de livros, quadros, discos, coreografias, há outros objectos, fragmentos e elementos documentais que concorrem para o que viremos a conhecer como a obra de alguém e que, muitas vezes, são tão inacessíveis ao público como os processos mentais que originaram determinada criação. Há excepções, sob a forma de acervos ou espólios devidamente catalogados, muitas vezes guardados em fundações ou arquivos, que preservam esses testemunhos e os disponibilizam junto de investigadores e académicos, mas é pouco frequente que esses fundos documentais estejam acessíveis a qualquer pessoa que tenha curiosidade em conhecê-los.

Nome fundamental da música e da cultura portuguesas a partir da segunda metade do século XX, José Mário Branco tem discografia extensa, em nome próprio e com trabalhos de autoria colectiva. Álbuns como Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades, Margem de Certa Maneira ou FMI acompanharam momentos muito intensos da história contemporânea portuguesa, da luta contra o fascismo aos anos quentes do início da democracia, e o passar do tempo confirmou esses e outros discos com a assinatura do autor como elementos fundamentais da cultura portuguesa de décadas recentes, quer no cânone musical, quer na memória colectiva. Agora, o Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (CESEM), organismo que integra a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, dá um passo importante em direcção a uma maior apropriação colectiva desse património criado por José Mário Branco. Em parceria com o próprio músico, o CESEM criou um arquivo on-line que disponibiliza partituras, correspondência, anotações, fotografias e inúmeros outros documentos que permitem conhecer de outro modo o trabalho de José Mário Branco.

Para além da documentação associada aos discos assinados pelo músico, a solo ou em colectivo (como os do Grupo de Acção Cultural), deambular pelo Arquivo José Mário Branco permite conhecer ou redescobrir as inúmeras colaborações que o autor desenvolveu com outros músicos, tantas vezes como produtor, bem como os trabalhos feitos para televisão, cinema ou teatro. Partituras criadas para a peça Galileu Galileu, de Bertold Brecht, encenada por Carlos Avilez para o Teatro Experimental de Cascais, em 1986, para o filme Agosto, de Jorge Silva Melo, estreado em 1991, ou apresentadas no programa televisivo Notas Soltas, de 1984. Fotografias dos espectáculos realizados em 2001, com João Lóio, Regina Castro e Manuela de Freitas. Alinhamentos de concertos, horários de entrevistas, correspondência sobre projectos e espectáculos. E depois há as letras das canções, as que José Mário Branco gravou e as que criou para outros, tantos, bem como o alinhamento completo dos álbuns. Organizados por tipologia das fontes e pelas entradas que ajudam a estruturar o acervo (álbuns espectáculos, teatro, cinema, rádio, etc), os documentos permitem uma navegação intuitiva, mas igualmente uma pesquisa detalhada em função de interesses concretos.

Cumpre-se, deste modo, a intenção de disponibilizar o acervo de José Mário Branco para quem queira estudá-lo, ou estudar, através dele, aspectos concretos da história contemporânea portuguesa, mas também para quem pretenda deambular sem destino certo, respigando imagens, pautas, informações avulsas sobre o trabalho do autor. Foi esse o acordo firmado entre José Mário Branco e o CESEM, devidamente explicado na apresentação do site que alberga este arquivo: «No final do processo, foi acordado que estes materiais digitais, coerentemente organizados, seriam inseridos numa base de dados própria, para livre consulta em linha, concebida como instrumento auxiliar para o estudo, divulgação e reapropriação social da sua obra.» Reapropriemo-nos, então.


Este artigo foi publicado ao abrigo da nossa parceria com a Fundação José Saramago. Foi publicado originalmente na Revista Blimunda de junho de 2018.

Tumi Mogorosi ‎– Project Elo (2014)

Style: Fusion, Jazz-Funk, Free Jazz
Format: CD, Vinyl, FLAC
Label: Jazzman

Tracklist:
1.   In The Beginning
2.   Inner Emergence
3.   Princess Gabi
4.   Slaves Emancipation
5.   Thokozile Queen Mother
6.   Metatron Angel Of Presence
7.   Gift Of Three

Credits:
Alto Saxophone – Mthunzi Mvubu
Double Bass – Thembinkosi Mavimbela
Executive Producer – Gerald Short
Guitar – Sibusile Xaba
Recorded By – Peter
Tenor Saxophone – Nhlanhla Mahlangu
Trombone – Malcolm Jiyane
Voice – Mary Moyo, Ntombi Sibeko, Themba Maseko
Voice, Written-By – Gabisile Motuba
Written-By , Composed By, Drums – Tumi Mogorosi
Producer – Daniel Berger, Nduduzo Makhathini

South African drummer Tumi Mogorosi may not be a well-known name on the international jazz scene yet, but if Project Elo is any indication, he will be. Recorded live in a studio over two days in 2013, Mogorosi, his sextet, and a quartet of opera voices is a stellar, suite-like collection of spiritual jazz compositions that is not easily categorized despite its geography, and doesn't derive from earlier exercises in the form. While it owes a debt to John Coltrane's A Love Supreme (is there any spiritual jazz recording that does not?), it also builds on the early South African ex-pat scene of the Blue Notes, and more modern considerations of melodic modal improvisation such as Brian Blade's fluid, gospelized post-bop, global folk traditions, and modern classical vocal music. That said, those are inspirations, but Mogorosi's compositional ideas are his own and he carves a new chapter into that grain. The title refers to the Elohim, the angelic presences that dwell among humanity or who are indeed enlightened human beings. Everything here develops gradually and slowly; the interplay between saxophones, trombone, and electric guitar is not only for color and texture but timbral invention. On "Inner Emergence," the 'bone solo speaks directly to Mogorosi's shimmering -- and later cracking -- backbeat and the rounded, warm guitar vamps that create the flow of the music's dialogue. "Slaves Emancipation" employs a propulsive walking bassline to frame a bop-centric tenor solo that moves outward yet never goes completely free. Mogorosi's fills and accents drive a central circular rhythm until it joins with the four voices in offering ascending scalar statements as the alto saxophone trails in staccato manner behind the tenor. On "Thokozile Queen Mother," Gabisile Motuba (Mogorosi's wife) provides the suite's only vocal solo. It's a spiritual soul number that would not have been out of place on a Carlos Garnett or Hannibal Marvin Peterson recording from the '70s, but it's also more direct, less concerned with concept that articulation. Project Elo is fully realized, beautifully played, inspiring modern jazz that uses the music's post-1960 history to craft a statement as timeless as its spiritual subject.
Thom Jurek / AllMusic