Monday, 27 July 2020

The Tiger Lillies ‎– Covid-19 (2020)

Style: Avantgarde, Cabaret, Punk, Alternative
Format: FLAC
Label: Misery Guts Music Ltd.

Tracklist:
01.   Covid-19
02.   Cough
03.   Keep Washing Your Hands
04.   Off To The Park
05.   Sanitizer Survivor
06.   Step Up
07.   Corona Was A Beer Once
08.   Cancellation Blues
09.   Spitter
10.   Toilet Rolls Mummy
11.   When You Die Alone
12.   Supermarket Shelves
13.   Social Distancing
14.   Gasping
15.   Testing
16.   It's Not Easy
17.   Will We Ever Play Again?

Credits:
Producer – The Tiger Lillies
Written By – Martyn Jacques
Acoustic Guitar, Saw, Theremin, Backing Vocals, Jew's Harp, Double Bass – Adrian Stout
Vocals, Accordion, Piano, Classical Guitar, Slide Guitar, Ukulele, Drums, Organ – Martyn Jacques

Here is our new album full of songs written in self isolation - Covid 19. 
Martyn Jacques says: 
'Covid-19 came out of the blue and left me unable to do the thing which I’ve always done for the last 30 years - perform! The thing which has kept me alive materially, occupied my time and kept me sane. For me the act of singing to an audience has been my emotional and artistic release. Covid-19 stopped all that and for the last 3 weeks I’ve felt like a goldfish in a bowl. My only way of staying relatively sane has been to sing songs about the madness of this . Here’s the album we’ve recorded, me isolating in my studio in Berlin, my band member Adrian isolating in his studio in Athens. Covid-19’. 
The album includes songs such as Sanitizer Survivor; Toilet Rolls Mummy; Cancellation Blues and Keep Washing Your Hands. 
It features exclusive artwork by Lebanese artist Eugene Cavill. The album is available to download exclusively on Bandcamp. 
The Tiger Lillies, along with most independent artists, have lost all live bookings for an indefinite period so anything fans can do to help support us during these uncertain times would be greatly appreciated.
bandcamp 

Niagara ‎– Pais & Filhos (2020)

Genre: Electronic
Format: FLAC
Label: Príncipediscos

Tracklist:
1.   21:44
2.   Herdeiros
3.   Tília
4.   Ano-B
5.   46 x 92m
6.   Ano-C
7.   Ano-A

Credits:
Written and Produced by Niagara
Mastered by Tó Pinheiro Da Silva

Lançado ontem – para já apenas em formatos digitais no Bandcamp da Príncipe, mas com planos para distribuição noutras plataformas de streaming a curto prazo e, como é apanágio da etiqueta, em vinil “mais tarde no ano” – o novo álbum dos Niagara é um breve (cerca de 30 minutos…), mas fascinante exercício de intensa exploração e descoberta que marca o regresso do trio ao catálogo lisboeta dois anos depois de Apologia. 
É verdade que o espírito inquisitivo e verdadeiramente exploratório de Alberto e António Arruda e de Sara Eckerson não lhes permite o “luxo” da imobilidade instigando-os a percorrerem vastos territórios musicais em busca de estímulos que lhes alimentem as ideias e as realizações musicais abundantes que lhes têm expandido a discografia a um ritmo assinalável (cinco álbuns e dezena e meia de EPs desde que se estrearam em 2011, com mais de metade dos títulos concentrados nos últimos 4 anos). 
Neste novo álbum, não há um “centro” evidente. Nas notas de lançamento, explica-se que as “faixas resultam de horas infindas de improvisos ao vivo” em que o grupo implementa diferentes processos criativos esperando assim obter igualmente diferentes resultados musicais. Pode concluir-se que a nossa surpresa ao escutar uma nova guinada no caminho dos Niagara seja tão genuinamente franca quanto a dos próprios membros que, claramente, não estabelecem planos que lhes guiem os passos antes de encetarem cada uma das suas jornadas. 
Afastados do por eles já bem mapeado terreno da pista de dança, os Niagara propõem aqui uma cartografia mais emocional, ensaiando, logo num primeiro momento, um intrigante cruzamento entre um plano melódico quase new-age e o que soa a uma implosão rítmica que nos dá uma camada de propulsão fragmentada, altamente abstracta. O momento seguinte funciona, de certa maneira, como o inverso, com a percussão que soa orgânica e tradicional (no sentido Giacometti do termo…) a assumir a dianteira e a traduzir movimento, enquanto em segundo plano e em contraponto há um drone em loop que parece traduzir imobilidade. “Tília”, sugerem os próprios Niagara nas notas de lançamento, “remete os ouvintes para o território de Forbidden Planet, não apenas por causa do tom sci-fi vintage, mas também porque se enreda no mesmo tumulto psicológico que o filme de 1956 explora”. De facto, o filme de culto de Fred M. Wilcox, em parte baseado no clássico drama The Tempest de William Shakespeare, teve no pioneiro score electrónico a cargo de Louis e Bebe Barron, o perfeito equivalente “musical”: um conjunto de pulsares e ruídos de absoluta novidade analógica que há quase 65 anos traduziam uma ideia de incerto futuro que então se começava a impor na geração dos baby boomers. 
O tríptico “Ano-B”, “Ano-C” e “Ano-A” (por esta ordem, mas entrecortado ainda por um tema de título “46 x 92m”), esclarecem-nos ainda as já referidas notas, “florescem da mesma raiz e usam todos percussão acústica para acrescentarem uma vida mais orgânica à natureza líquida da música”. São três passagens de crescente abstracção em que os elementos percussivos são usados para pintarem a difusa paisagem em que rapidamente somos mergulhados, uma espécie de música exótica para o século XXII, plena de mistério e de ecos de estranhas formas de vida. Como se acabássemos de chegar a um planeta distante e ousássemos os primeiros passos fora da cápsula em terreno perfeitamente desconhecido. 
“46 x 92m”, o tal tema que interrompe o fluxo do já mencionado “tríptico”, é um exercício de “quarto-mundismo” que nos sugere uma actualização de algumas ideias que se produziam no Japão digital dos anos 80, quando o DX-7 da Yamaha tanto servia para traduzir novas ideias de espaço como para evocar orquestras de gamelão. É uma vívida tela de tropicalismo pintada em cores de VHS que apetece deixar em repeat do nascer ao por do sol. 
“Há algo a acontecer”, dizem-nos, em jeito de conclusão, os Niagara. Há, de facto. E não temos que perceber exactamente o que é para nos deixarmos ainda assim arrebatar.
Rui Miguel Abreu / Rimas E Batidas

Moses Sumney ‎– Aromanticism (2017)

Genre: Funk / Soul
Format: CD, Vinyl
Label: Jagjaguwar

Tracklist:
01.   Man On The Moon (Reprise)
02.   Don't Bother Calling
03.   Plastic
04.   Quarrel
05.   Stoicism
06.   Lonely World
07.   Make Out In My Car
08.   The Cocoon-Eyed Baby
09.   Doomed
10.   Indulge Me
11.   Self-Help Tape
12.   Untitled (Bonus Track)

Credits:
Bass – Thundercat
Harp – Brandee Younger
Guitar – Tosin Abasi
Horns – Mike Rocha
Flute – Nicole Miglis
Flute, Clarinet – Tracy Wannomae
Producer, Synth – Matt Otto
Drums – Jamire Williams, Ian Chang
Electric Upright Bass – Rashaan Carter
Piano, Synth, Arranged By – Paris Strother
Guitar, Mixed By – Joshua Willing Halpern
Producer, Guitar, Bass, Synth – Ludwig Goransson
Vocals, Guitar, Written By, Producer, Bass, Synth – Moses Sydney


Loneliness is a recurrent ache in pop music; the diagnosis is normally heartbreak, unrequited love or loss. Moses Sumney has a slightly different take on what is drily termed “aromanticism” – an imperviousness to coupling up. Born of exacting self-scrutiny, it is bolstered by 70s soul, Greek myth and what sounds like a personal phalanx of angels that routinely dive bombs this gorgeously crafted album. 
We’re not all destined to be completed by some special someone, the LA musician seems to conclude. That the swooning, layered backing vocals on many of these 11 tracks turn out to be just Sumney, multi-tracked, underscore his exquisite isolation. 
Having reached a wider audience thanks to his guest spot on Solange’s A Seat at the Table album, Sumney is now taking his own stool at music’s countertop with a genre-resistant debut that juxtaposes guitars with harp sounds and electronic production. It recalls the delicacy of Anohni’s first album while sounding like little else – our own Sampha covering Tim Buckley’s Song to the Siren, maybe. 
Of course, the boy has some company. Jazz outlier Thundercat guests on bass, as does Paris Strother from King; Matt Otto, previously half of Majical Cloudz, helps out with production.

And Sumney has had sleepovers. “All my old lovers have found others,” he notes on the spare, guitar-driven folk-soul of Indulge Me. Another fantasia finds a finger-clicking Sumney declaring: “I’m not trying to go to bed with ya/I just wanna make out in my car.” Discreet panting, a jazz flute and fruity strings mark the tryst (Make Out in My Car). 
Sometimes, Sumney considers, love founders on circumstance, or worse. A key track, the expansive Quarrel, is all low-key shimmies and pops, harps and muted horns – and prejudice. “Don’t call it a lovers’ quarrel,” demands Sumney. “We cannot be lovers/Cos I am the other.” As though to underline the point, the final two minutes unfurl into spacey soul and restless jazz. 
Sometimes, in our culture, being resistant to happily-ever-after seems akin to blasphemy. The pivotal track, Doomed, finds Sumney wondering: “If lovelessness is godlessness/Will you cast me to the wayside?” This time, the cavalry of angels doesn’t arrive; it’s just Sumney’s quaver and a little thrumming synth in the background. A riveting moment later, he is excommunicating himself. “Well, I feel the peeling/Of half-painted ceilings/Reveal the covering of a blank sky.” 
Sumney has described the album as “a sonic dreamscape” and if Aromanticism has a tiny drawback, it is an over-reliance on beauty. This former choirboy has a truly celestial falsetto, but he underuses his lower register. Plastic – included here, but originally released in 2014 – finds Sumney sliding assuredly down the octaves on a single vocal line. This album packs so much succour; only once – on Lonely World – are the virtuoso musicians he has assembled allowed to express any tension. The unexpected percussion hammers down like rain.
Kitty Empire / The Guardian