Friday, 8 May 2020

Três Tristes Tigres ‎– Partes Sensíveis (1993)

Genre: Rock, Pop
Format: CD
Label: EMI-Valentim De Carvalho, Música Lda.

Tracklist:
01.   O Mundo A Meus Pés
02.   Competição Desleal
03.   A Meiguice Explicada às Ovelhas
04.   Anjazul
05.   Descapotável
06.   Loreta (Louva-a-Deus)
07.   Ao Deus Dará
08.   Letra Morta
09.   Branca de Neve 1993
10.   Subida Aos Céus
11.   Mulher A Dias
12.   Os Rebanhos
13.   A Alegria de Estar Cansada
14.   Epitáfios

Credits:
Vocals – Ana Deus
Lyrics By – Regina Guimarães
Drum Machine, Synth Bass, Mixed By, Producer – Telmo Marques
Guitar – Alexandre Soares
Piano, Keyboards – Paula Sousa
Written-By – Alexandre Soares, Ana Deus, Paula Sousa, Regina Guimarães, Ricardo Serrano

VA ‎– Um Disco Para José Mário Branco (2019)

Genre: Rock, Latin, Pop, Folk, World, & Country
Format: CD
Label: Edições Valentim de Carvalho

Tracklist:
01.   Luca Argel - Queixa Das Almas Jovens Censuradas
02.   Marfa - Engrenagem
03.   Osso Vaidoso - Cantiga Da Velha Mãe E Dos Seus Dois Filhos
04.   Batida Feat. AF Diaphra - A Cantiga Is The Weapon
05.   Primeira Dama - Tiro-no-liro
06.   Guta Naki - Canto Dos Torna-Viagem
07.   Ermo - Eram Mais De Cem
08.   JP Simões - Inquietação
09.   Camané - Fado Penélope
10.   Lavoisier - Eu Não Me Entendo
11.   The Walkabouts - Hard Winds Blowin' (Sopram Ventos Adversos)
12.   Single - Cantiga Para Pedir Dois Tostões
13.   Peste & Sida - Década De Salomé (Featuring - José Mário Branco)
14.   Ruas - Comboios Parados
15.   José Mário Branco + Mão Morta - Loucura
16.   João Grosso - FMI

“Um Disco para José Mário Branco” é uma prova de admiração e afecto, e também um agradecimento. Pela música, pelas palavras, pelo exemplo, pela atitude, pela inspiração. Ao reunir um conjunto de artistas tão ecléctico e diversificado, o resultado foi um retrato-mosaico de uma obra maior da música portuguesa. Ao juntar tantas sensibilidades diferentes, percebe-se que José Mário Branco chegou a várias gerações sem perder força, que as suas ideias, soluções e abordagens à canção, no fundo a sua visão artística, continuam a fazer sentido e caminho.

Este disco partiu da celebração dos 40 anos do 25 de Abril, tendo o José Mário Branco como referência. Fez-se um livro (na Abysmo) e um espectáculo (na Casa da Música). Lançaram-se sementes. E agora, recolhem-se os frutos nas leituras inéditas de Luca Argel, Marfa, Osso Vaidoso, Batida feat. AF Diaphra, Primeira Dama, Guta Naki, Ermo e João Grosso. E completam este lote com uma recolha de versões, colaborações e citação já editadas de JP Simões, Camané, Lavoisier, os norte-americanos The Walkabouts, os espanhóis SINGLE, Peste & Sida e Mão Morta. 
A obra de José Mário Branco vai do hip-hop à electrónica, do fado à pop, do rock à poesia pura e dura, sem passar pela facilidade, gratuidade ou vacuidade. É política, emotiva, terna, dura, alegre, triste, lúdica, inteligente.  E sempre generosa. Como este feliz mapa que (re)inventa caminhos, (re)aponta direcções e, no entretanto,  (re)descobre tesouros.
Glam-Magazine

Vitor Rua & The Metaphysical Angels ‎– Do Androids Dream Of Electric Guitars? (2017)

Style: Free Jazz, Free Improvisation
Format: CD
Label: Clean Feed

Tracklist:
Do Androids Dream Of Electric Guitars?
1-01.   The Amazing Worm
1-02.   Friendly Formants
1-03.   Roulotte
1-04.   Flamenco Is Dead
1-05.   Subliminal Signs Of Humor
1-06.   Fugue In Fuck Major
1-07.   Deleuze Versus Tarzan
1-08.   Prepared Onion With Olive Glue
1-09.   Descending Stairs With Duchamp
1-10.   Do Androids Dream Of Electric Guitars?
Do Androids Dream Of Electric Bands?
2-01.   The Amazing Worm
2-02.   Friendly Formants
2-03.   Roulotte
2-04.   Flamenco Is Dead
2-05.   Subliminal Signs Of Humor
2-06.   Fugue In Fuck Major
2-07.   Deleuze Versus Tarzan
2-08.   Prepared Onion With Olive Glue
2-09.   Descending Stairs With Duchamp
2-10.   Do Androids Dream Of Electric Guitars?

Credits:
Trumpet – Nuno Reis
Bass – Hernâni Faustino
Clarinets – Paulo Galão
Drums – Luís San Payo
Piano – Manuel Guimarães
Guitars, Producer, Composed By – Vitor Rua

Creio já não ser necessário alongar-me muito na apresentação de Vítor Rua, fundador dos GNR e depois dos Telectu, com uma actividade musical variada que vai da composição contemporânea ao rock. Desde a separação do duo Telectu que Rua tem tocado e composto em inúmeros formatos, numa profusão de edições difíceis de seguir, disponíveis não só nas plataformas “online” como em formatos físicos. Toda esta produção é trabalhosa de catalogar e muito irregular em termos estilísticos e formais, compreendendo a “canção de intervenção pimba”, a escrita para orquestra e o solo. 
Assim, é preciso criar um espaço, um silêncio, para introduzir este novo trabalho lançado pela Clean Feed. Não é mais um dos muitos que Rua tem editado; será, provavelmente, o seu disco mais importante até hoje (mesmo contanto com “Vydia, “Pós-GNR”, etc.). O nome da editora ajuda-nos desde logo a criar uma âncora com o jazz e, de facto, é esse o enquadramento de “Do Androids Dream of Electric Guitars?”, um álbum duplo que mostra duas abordagens ao mesmo tema: uma só em guitarras e a outra em grupo (guitarra, contrabaixo, bateria,  piano, trompete e clarinete). 
É um duplo especial, pois raras vezes sentimos, ao ouvir uma gravação, que ela dá um passo em frente, que acrescenta uma ideia nova. Quero com isto dizer que este álbum propõe uma abordagem ao jazz que ainda não tinha sido feita, abrindo uma nova gaveta. Discos destes não aparecem todos os anos e se uso a palavra “jazz” faço-o consciente de que, se esta é a matriz fundamental desta música, como de tantos outros trabalhos de Rua, também podia ser classificada no rock ou na música contemporânea para guitarra, sem grandes inquietações. 
“Do Androids Dream of Electric Guitars?” apresenta uma música vertical dentro de um processo inevitavelmente horizontal que é o da natureza própria da música (sons no tempo). São duas e diferentes as abordagens a esta ideia. O primeiro disco é apenas de guitarras e permite-nos perceber com mais clareza a ideia da “música vertical”: uma guitarra acústica, duas eléctricas e uma baixo alinham as notas verticalmente, ou seja, cumprem com uma pauta rítmica e melódica, ainda que com grande liberdade. Imagine-se uma linha de tempo por onde vão passando indicações para os músicos tocarem e que eles respeitam essa indicação com uma vontade de alinharem verticalmente, de somarem sons uníssonos, sem nunca o fazerem totalmente. Uma espécie de “harmolodics plus”. 
No primeiro CD, todas as guitarras foram tocadas por Rua, usando “overdubbing”. Os temas têm uma sinceridade quase ameninada, que lhe reconhecemos desde “Portugal na CEE” e que vem até às suas composições para orquestra: melodias que não têm medo de soar bonitas e simples, com “moldura”, como diria o guitarrista. O segundo CD mostra-nos o modo como estes mesmos temas soam ao serem tocados por um grupo. Gravado em sexteto com os Metaphysical Angels – Hernâni Faustino, Luís San Payo,  Manuel Guimarães, Nuno Reis e Paulo Galão (e, claro, Rua na(s) guitarra(s) tocada e pré-gravada) –, mantém a beleza do conceito, sendo difícil decidir qual é a abordagem mais cativante. Se no primeiro disco o processo é mais evidente e as ideias aparecem mais claras, no segundo as diferentes texturas sonoras e o maior balanço da música, menos “dura” e mais swingante do que no primeiro CD, criam outros interesses. 
Lançado publicamente no dia 31 de Outubro, no Sabotage do Cais do Sodré, em Lisboa (um bar que associamos ao rock e não ao jazz, o que calculo que tenha sido um “statement” deliberado), esta é certamente uma das obras que ouvi com mais prazer este ano e que entra directamente para o topo da lista dos melhores (e mais importantes) de 2017, pois faz avançar a música.
Gonçalo Falcão / jazz.pt

Collocutor ‎– Continuation (2020)

Genre: Broken Beat, Nu Jazz
Format: CD, Vinyl
Label:  On The Corner Records

Tracklist:
1.   Deep Peace
2.   Continuation
3.   Pause
4.   The Angry One
5.   Lost & Found
6.   Pause Reprise

Credits:
Alto Flute – Mike Lesirge
Baritone Saxophone – Tamar Osborn
Bass – Suman Joshi
Bass Clarinet – Tamar Osborn
Drums – Maurizio Ravalico
Flute – Tamar Osborn
Guitar – Marco Piccioni
Tenor Saxophone – Josephine Davies, Mike Lesirge
Written-By – Tamar Osborn

Collocutor enter a new decade with the timeless, introspective Continuation. Continuation is a remarkable work in which the interplay of emotional experience and life motion experienced by band leader Tamar Osborn AKA Tamar Collocutor is channelled and explored by Collocutor. 
The band's third LP assuredly strides forward following the critical acclaim awarded to 'The Search' from 2017 from the likes of The Wire, Vinyl Factory and Gilles Peterson. Continuation is an album about coping with grief and loss/bereavement: The music charts the many (and sometimes surprising) emotional states encountered, moving from acknowledgement, trying to keep 'normal' life going, the need to sometimes put a pause button on the world/existence and let the waves of feelings crash and roll, sudden anger & confusion, finally to moving (perhaps with uncertainty) forward. 
Tamar Osborn has led Collocutor through a line-up shift from septet to quintet for Continuation. The modified line-up creates space for the musicians to express themselves through the shadows of Continuation's movement. The quintet allows for more group improvisation, based on just a few motifs and thereby giving the musicians more space to converse. The tracks Lost & Found and in particular the album's title track, Continuation (the only piece with 3 horns) hark back to the intricate arrangements of 'The Search'. It's a deeply personal album, the writing of which acted as Tamar's way of processing and understanding experience and the need to channel feeling. 
In listening truly 'Continuation' bares that rare and precious gift of a morsel of the human experience being illuminated by artistic genius.
deejay.de
Three years on from the release of the last Collocutor album, a new line-up has headed into the studio under the watchful eye of founding member Tamar Osborn. The results are uniformly impressive, with Osborn's six new compositions largely exploring a deeper, more atmospheric blend of late night jazz. Of course, there are still mind-altering, heavyweight workouts to enjoy - see the discordant post-punk jazz-rock fuzz of "The Angry One", an aggressive blast of razor-sharp horns, squally guitars and sweaty drums - but in general the tracks that linger longest in the memory are those that shuffle menacingly in pursuit of bittersweet, slow-burn release. For proof, check out the brilliant "Pause", "Continuation" and the ultra-smoky opener "Deep Peace".
Juno Records

Scarecrow Paulo ‎– Shank (2017)

Style: Alternative Rock
Format: CD
Label: Sardine Mountain Music ‎

Tracklist:
01.   The Sky Was Falling
02.   Precious Stones
03.   Hole In The Morning
04.   Eyes
05.   Love Is Not A Gun
06.   Every Night & Every Day
07.   Buckle And Rust
08.   Return The Golden Fish To The Deep Blue Sea
09.   Water
10.   Kensal Crematorium
11.   Velvet Wings
12.   Justice

Credits:
Written-By – Scarecrow Paulo
Mixed By, Mastered By – Steve Cooper
Musicians – Arnulf Lindner, Derek Adams, Edgar Caramelo, Flak, João F. Gomes, Marcos Santana, Otto Pereira, Rodrigo Amado, Roy Dodds, Samuel Palitos, Tomás Pimentel, Sam Harley, Scarecrow Paulo

É muito rica a história que repousa nos ombros de Paulo Pedro Gonçalves: foi um dos agitadores dos míticos Faíscas quando o punk fez estalar o verniz no nosso país, ajudou a inventar o futuro com os Heróis do Mar, foi rapaz de Lisboa em nome próprio nos tempos da Fundação Atlântica, marcou – como se viu recentemente com o CD que a BLITZ dedicou aos anos dourados da BMG – os anos 90 com os LX-90, primeiro, e os Kick Out The Jams depois. 
Foi, precisamente, com a banda que resgatou o nome à memória dos MC5 que se mudou para Londres para nunca mais de lá sair. Paulo Pedro Gonçalves ainda teve tempo de transformar a sua saudade numa imaginativa aproximação ao fado com o projeto Ovelha Negra e agora reinventa-se como Scarecrow Paulo, assumindo as despesas da guitarra e da voz, da composição e da imaginação de todo o imaginário que atravessa o registo de estreia que aqui se apresenta, Shank. 
Leia a apresentação faixa-a-faixa de "Shank", pelas palavras de Paulo Pedro Gonçalves: 
1. The Sky Was Falling
Para mim, é um take à Jacques Brel. É um bocado aquela canção francesa: o mundo está a acabar porque a gente disse adeus, e estas são as coisas que estão a acontecer por causa de um adeus. 
2. Precious Stones
A guerra transforma-se em ouro, em pedras preciosas. Toda a guerra acontece porque se procura um lucro. 
3. Howlin’ in the Morning
A vida de uma pessoa vai acabar. No dia a seguir, essa pessoa vai ser enforcada. Portanto, há um buraco grande na manhã seguinte. É sobre uma pessoa estar a enfrentar o que fez e para onde vai. 
4. Eyes
Foi cantado ao primeiro take. É uma canção que mexe muito comigo, que é muito importante para mim, que é sobre a cegueira e sobre uma pessoa precisar de alguém para atravessar as montanhas. 
5. Love Is Not a Gun
Essa é pessoal (risos). As pessoas tratam muito as relações, quando estas acabam, como pistolas. O amor é utilizado como pistola. As pessoas usam o amor para magoar. E também é sobre o que se passa agora com a religião, com as pessoas a utilizarem Deus como arma – sempre foi assim a história da religião. É, de certa forma, uma crítica a isso. 
6. Every Night and Everyday
«Every night and everyday reminds me of you». É isso. Tudo me faz pensar em ti. As coisas boas e as coisas más. 
7. Buckle and Rust
Esse tema é sobre um homem que se apaixona loucamente por alguém e que acaba a fazer coisas que não deve fazer. Acaba mal. 
8. Return the Golden Fish to the Deep Blue Sea
É baseada numa história do [Alexander] Pushkin. A ideia vem do tempo em que eu vivia em Glasgow. É sobre os sonhos que nós criamos e que não passam de sonhos. É um bocado sobre a dureza de viver, a dureza que existe no Reino Unido. 
9. Water
É sobre procurar amor. Água é amor. Falando sobre a música, tem um solo fantástico do Rodrigo Amado. É sobre reconhecer o amor quando se encontra. Poder desfrutar desta vida. 
10. Council Crematory
A faixa é sobre uma rapariga de Birmingham. Para onde foi a luz da noite? A lua desapareceu. 
11. Velvet Wings
É para os meus filhos. É para todas as crianças. Para saberem que nunca estão sós. Nós nunca estamos sós. Temo-nos a nós e se estivermos bem connosco nunca estaremos sós. 
12. Justice
«It’s a rich man’s game». Começa com Jesus Cristo a ir para o Calvário e acaba com a chuva a cair do céu. A justiça está sempre na mão dos ricos e dos poderosos. 
BLITZ

Ahmad Jamal ‎– Marseille (2017)

Genre: Jazz
Format: CD, Vinyl
Label: Jazz Village, Jazzbook Records

Tracklist:
1.   Marseille (Instrumental)
2.   Sometimes I Feel Like A Motherless Child
3.   Pots En Verre
4.   Marseille
5.   Autumn Leaves
6.   I Came To See You / You Were Not There
7.   Baalbeck
8.   Marseille

Credits:
Double Bass – James Cammack
Drums – Herlin Riley
Percussion – Manolo Badrena
Piano – Ahmad Jamal
Vocals – Abd Al Malik, Mina Agossi

There are few true jazz legends left alive now let alone still recording albums of the calibre of Marseille. Ahmad Jamal is one such venerable figure and the octogenarian (born July 2, 1930) has recorded an album of consistent brilliance. Jamal prefers to refer to his playing as American classical music rather than jazz and he's been regarded as a "mainstream" pianist but to stylistically stereotype him in this fashion is to do him an injustice. 
The title track is afforded three different versions, the first being a mesmeric modally-inspired instrumental foray. The title is also a paean to a country that has enthusiastically supported Jamal throughout his long career culminating in the French government awarding him the prestigious Chevalier De L'Ordre Des Arts Et De Lettres in 2007. The album itself was recorded in Malakoff, a suburb on the outskirts of Paris. 
It's well-known that Miles Davis was a fan of Jamal's and admitted to being influenced by the pianist. Miles and Jamal became friends in the 1950s and Davis recorded Jamal's "Ahmad's Blues" on Workin' and "New Rhumba" on Miles Ahead. So on one level, it's not too surprising that on "Sometimes I Feel Like A Motherless Child" Jamal includes a funky quote from Davis's "Jean Pierre" from We Want Miles, released in 1982. But on another level the inclusion of this vamp, which bookends the track, demonstrates how versatile is Jamal's approach, and how a standard can be completely transformed so seamlessly. 
The quoting continues on "Pots En Verre" with a repetition of two tantalisingly familiar chords from Lee Morgan's "The Sidewinder." The French rapper Abd Al Malik contributes tersely spoken words in French on the next beguiling version of "Marseille" on which Jamal evinces an alternative chordal interpretation. 
"Autumn Leaves" is given a rich makeover, with percussionist Manolo Badrena and drummer Herlin Riley adding a Latin-esque feel and all underpinned by James Cammack's resonant double bass. There's even a micro-quote from Oliver Nelson's "Stolen Moments" here too. The languid "I Came To See You / You Were Not There" and the more vibrant "Baalbeck" almost conclude this set but for the addition of a sumptuous third version of "Marseille," adorned by Mina Agossi's mellifluous vocals. 
It's undoubtedly Jamal's use of space and deft light and shade which characterise his playing and this proves that frenetic pyrotechnics are not necessary to make a huge impact on an audience. 
This extraordinarily beautiful album, simultaneously released on CD and double vinyl, demonstrates how age alone does not diminish an artist's musical ability and creativity. This superb album's appeal will be undoubtedly very wide indeed.
Roger Farbey / All About Jazz

Al Green ‎– Let's Stay Together (1972)

Genre: Funk / Soul
Format: CD, Vinyl
Label: London Records, Hi Records, Octave Lab

Tracklist:
1.   Let's Stay Together
2.   La-La For You
3.   So You're Leaving
4.   What Is This Feeling
5.   Old Time Lovin
6.   I've Never Found A Girl ( Who Loves Me Like You Do)
7.   How Can You Mend A Broken Heart ?
8.   Judy
9.   It Ain't No Fun To Me

Credits:
Producer – Willie Mitchell
Remastered By – Tim Young
Written-By – Al Green

Few artists have the effortless grace of Al Green. Born the son of a sharecropper and raised in the Baptist church, his voice is simply unmistakable. Economic, passion-filled and authentic, he can convey more emotion in a simple phrase than other singers, overworking and over- wringing, can strive for across their entire careers. 
Let’s Stay Together, his fourth studio album, marked a high-watermark of Green’s collaboration with Hi Records and producer Willie Mitchell. Their paring is one of the greatest in soul music – they’ve left a body of work that is so identifiable that it’s up there with Holland-Dozier-Holland’s recordings with The Supremes or Jerry Wexler’s with Aretha Franklin. 
The gospel-influenced title-track is one of the best-known love songs ever recorded. Perfectly yet not clinically played and sung very much from the heart, it’s as if every scrap of Green’s life and love depended upon it. A number one in the States and a sizeable hit over here, the song was later to revive Tina Turner’s career in 1983 – but her version is like cava to Green’s Moët. The zenith of Mitchell and Green’s partnership, it has all the trademarks of their relationship – close microphoned instruments, swooningly soulful brass performed by the Memphis Horns underpinned by Charles Hodges’ Hammond. 
Few artists have exhibited such mastery of their material. On So You’re Leaving, when Green breaks into scat, the pathos is writ larger than, say, Marvin Gaye’s; you feel you are overhearing a man in desperation. However, amid all the self-penned material, it is a cover that comes and steals the show – How Can You Mend a Broken Heart, the 1971 Bee Gees hit, is turned into a tour de force, supported by astonishing musicianship. Green wrests every scrap of emotion out of the lyric, yet not once overdoes it. It is with good reason Q magazine described it as taking "the soul ballad to new levels of artistry and refinement". 
Green left secular music at the height of his fame in the mid-70s to become a minister at the Full Tabernacle Church in Memphis, and has since returned to pop-soul sporadically, memorably turning in a spectacular Glastonbury Sunday afternoon performance in his white suit in 1999. Let’s Stay Together is a fabulous reminder of him at the apex of his career.
Daryl Easlea / BBC