Sunday, 29 March 2020

The Heliocentrics ‎– Infinity of Now (2020)

Genre: Electronic, Hip Hop, Funk / Soul
Format: CD, Vinyl
Label: Madlib Invazion

Tracklist:
1.   99% Revolution
2.   Venom
3.   Elephant Walk
4.   Burning Wooden Ship
5.   Hanging By A Thread
6.   Nonsense Part 1
7.   Light In The Dark
8.   Nonsense Part 2
9.   People Wake Up!

Credits:
Strings, Electronics – Raven Bush
Alto Saxophone – Collin Webster
Strings Arranged By  – Jake Ferguson, Raven Bush
Baritone Saxophone – Jason Yarde
Bass, Guitar – Jake Ferguson
Drums, Percussion – Malcolm Catto
Guitar, Electronics – Dan Smith
Hurdy Gurdy, Sarangi – Sylvia Hallett
Keyboards, Percussion, Banjo – Jack Yglesias
Lyrics By, Vocals – Barbora Patkova
Producer, Recorded By, Mixed By – Jake Ferguson, Malcolm Catto
Composed By, Arranged By, Performer – The Heliocentrics

London, UK-based jazz fusion outfit the Heliocentrics made a ripple with their appearance on DJ Shadow's generally underwhelming 2006 effort, The Outsider, but that subtle vibration has turned into a tidal wave in the years since. Along with their own heavily instrumental works, they've produced lengthy collaborations with such legends as Melvin van Peebles, Mulatu Astatke, Lloyd Miller and Orlando Julius, and created the score for the LSD documentary The Sunshine Makers in 2017.

Also released in 2017, A World of Masks was their first album with Slovakian vocalist Barbora Patkova. While the creative core of the band remains drummer Malcolm Catto and bassist Jake Ferguson, Patkova's spooky, cerebral voice seems to embrace an even larger role on Infinity of Now. Granted, that could be due as much to the track selection as anything, there being only eight numbers on this album, with her prominently featured on most of them, but to the outsider, it feels like she has gained well-deserved confidence within the group.

Like the rest of their catalogue, Infinity of Now was recorded at the analogue dreamscape of Catto's own Quatermass Sound Lab. The title may evoke exotica composer Esquivel's 1960 effort Infinity In Sound, but the sound that the Heliocentrics produce here is more of a psychedelic blend of Fela Kuti's propulsive Afrobeat, David Axelrod's symphonic library psych, and BADBADNOTGOOD's hip-hop-flavoured post-apocalypse jazz.

Certain moments burn themselves instantly in memory. With its sliding strings, boom-bap drums and space-fuzz guitar riff, "Venom" is simply too cool for words. "Light in the Dark" sounds like a discovery from one of Vampisoul's Czech Up! compilations, with Patkova assumingly singing in the similar Slovak while the haunted house organ and warbled violin glissandi lend it an obscure vintage horror film vibe. If you said the fat horns and slappy drums served up with scintillating wah-wah organ of "Hanging by a Thread" was actually the result of a Fela Kuti jam session crashed by Iron Butterfly, many would believe you. Yet, taken as a whole, it has a meditative, if hallucinogenic, flow that focuses the mind through every detour, a flight of fancy with a purposeful direction in fully realized detail.

The more I listen to it, the more that Infinity of Now sounds like the album I wish Portishead would finally get around to making. Given how much the Heliocentrics continue to advance with each album, it's possible the general public may end up forgetting Portishead entirely. They may not be pioneering a movement, but the Heliocentrics do something no one else can, and it is worthy of the loftiest praise. (Madlib Invazion)
Alan Ranta / Exclaim!

Filho Da Mãe ‎– Mergulho (2016)

Genre: Rock, Folk, World, & Country
Format: CD, Vinyl, FLAC
Label: Lovers & Lollypops

Tracklist:
Parte 1
01.   Primeiro Mergulho
02.   Nó
03.   Marcha De Pedra
04.   Um Dedo Menos
05.   Segundo Mergulho
06.   Júpiter
Parte 2
07.   Madagáscar
08.   A Terra Não Come O Pó
09.   Canção Do Enrolado
10.   Da Foice
11.   Brando
12.   Epílogo-me

Credits:
Instruments – Rui Carvalho
Mixed By, Mastered By – João Brandão
Producer – João Brandão, Rui Carvalho
Recorded By – João Brandão

Com o ano chegado ao fim, olhamos para trás ensaiando uma recordação distante da inocência esperançosa com a qual aguardávamos o seu início. Foi um ano brutal, que deixou muitos frustrados, cansados, de olheiras a roçar nos lábios de ler notícias sobre notícias menos agradáveis que deixavam na boca o sabor amargo a um ano temível para o mundo, um mundo cada vez mais dividido e zangado, cada vez mais cruel e impiedoso, que nos deixou também mais pobres com os tantos nomes queridos que a morte ceifou. 
Foi num ano temível como este, tão violento como ruidoso, que nos chega de mansinho, quase sem darmos por ele, o segundo registo a solo de Rui Carvalho, virtuoso guitarrista mais conhecido por Filho da Mãe. Seguindo-se a Cabeça (2013), Mergulho encanta e surpreende sem se despedir da fórmula bem calculada que nos fez apaixonar pela guitarra de Carvalho à primeira vez. 
São doze as faixas, que escorregam umas nas outras como um rio desagua num mar silencioso, orientando-se por um fio condutor líquido e fácil de seguir: cada faixa se funde na outra, lembra a próxima, saboreando-se o disco não tanto como sobremesas separadas mas sim uma refeição que nos deixa o estômago satisfeito. 
Mergulho é assim: um disco pequenino, discreto, sedutor, que facilmente passa ao lado dos ouvidos de quem só ouve quem eleva a voz: Rui Carvalho não tem de gritar, enquanto abre ao ouvinte as portas para uma sonoplastia delicada e colorida, tecida pelo virtuosismo dos seus dedos aplicados sobre as cordas – e é tudo o que é preciso. No entanto, seria fácil cair na ideia de que um disco imaginado dentro de uma guitarra poderia relevar-se uma dormência constante ou uma exposição de truques de circo que aborreceria tremendamente o ouvinte. Mas Rui Carvalho não precisa de truques, e a cada vez que estrangula as cordas da guitarra num acorde que nos faz erguer uma sobrancelha, não é em vão, construindo nos seus temas, curtos e concisos, cheirinhos de universos ocultos que só ele consegue fazer cantar num só instrumento. 
Rui Carvalho é de uma inteligência rara num mundo em que há uma febre por lançar disco atrás de disco sem deixar o público mastigar um sem engolir o outro. A sua fórmula é simples, mas fácil de destruir: o quão fácil seria fartarmo-nos das suas galopadas melódicas ao longo do traste do instrumento se por ele fossemos perseguidos constantemente? Mas Filho da Mãe compreende a delicadeza da operação: tal como evita o truque, evita a demasia, o excesso. Apesar de ser o seu segundo esforço musical em 2016 (Tormenta, com a percussão de Ricardo Martins, saiu uns meses mais tarde), Mergulho é um degrau acima de Cabeça, de 2013, o capítulo seguinte, que deixou respirar durante três longos anos. Não é senão uma mesmice evoluída, canções-família, que tombam umas nas outras pouco importando a ordem, que cansaria facilmente. Mas não com Filho da Mãe a segurar na guitarra. Mergulho é uma construção refinada, sem pressas, sem euforias. Que sabe bem num ano tão eufórico que nem deu tempo para parar para respirar fundo. E mergulhar.
Guilherme Portugal / Altamont

Kubik ‎– Rock Extravaganza (2016)

Style: Dark Ambient, Abstract, Industrial, Jazzdance, Experimental
Format: FLAC
Label: Not On Label

Tracklist:
01.   Rock Extravaganza
02.   The Sea Inside
03.   The Lodger
04.   Planet Elfman
05.   Nihil Aut Mors
06.   Je Ne Comprends
07.   Bates Motel
08.   Klaus Kinski's Kiss
09.   Dirty Philosophy
10.   Future is Unpredictable

Credits:
Kubik: composições, teclado MIDI, guitarra elétrica, eletrónica, sampling, mistura, produção e voz em "Planet Elfman", "Je Ne comprends Pas" e "Klaus Kinski's Kiss" (a partir do poema "The House" de Charles Bukowski).

Street Kids ‎– Trauma (1982)

Style: New Wave, Synth-pop  
Format: Vinyl
Label: Vadeca

Tracklist:
A1.   Propaganda
A2.   Tropa Não
A3.   Israel
A4.   Progresso
B1.   Tóquio Ano 82
B2.   Nunca Pensei Que Te Anulasses Tão Bem!
B3.   Tubo D'Ensaio
B4.   Nova Atitude
B5.   Todos São Paranóicos Menos Eu

Credits:
Bass Guitar, Chorus, Vocoder, Guitar – Nuno Rebelo
Cover, Graphics – Street Kids
Drums, Percussion – Flash Gordon
Electric Guitar – Eduardo Sobral
Lead Vocals, Chorus, Electric Guitar, Strings – Luís Ventura
Piano, Organ, Strings, Synthesizer, Voice – Nuno Canavarro
Composed By, Performer – Street Kids