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Thursday, 13 September 2018

The Durutti Column ‎– Obey The Time (1990) (1998 Reissue)

Style: Avantgarde, Experimental
Format: CD
Label: Factory Once, London Records

01.   Vino Della Casa Bianco
02.   Hotel Of The Lake 1990
03.   Fridays
04.   Home
05.   Art And Freight
06.   Spanish Reggae
07.   Neon
08.   The Warmest Rain
09.   Contra-Indications
10.   Vino Della Casa Rosso
        The Together Mix
11.   The Together Mix
12.   Fridays (Up-Person Mix)
        Trade 2 Singles Club
13.   Kiss Of Def

Credits:
Programmed By, Engineer – Paul Miller
Written-By – Vini Reilly

For all that the previous album was called Vini Reilly, Obey the Time was in fact Durutti's most specifically Reilly-only release yet. Even percussion stalwart Mitchell only appeared on one track this time around, the fine, subtly uplifting punch of "Art and Freight," partially due to where Reilly's head was at this time around. Inspired by the late-'80s acid house revolution in England, with his native Manchester firmly at ground zero, Reilly aimed to combine that with his usual guitar approach to see what would happen. Where in nearly any other hands this would have been a pathetic crossover disaster waiting to happen, the end results are gratifyingly like what his compatriots in New Order did the previous year with Technique, synthesizing up-to-date styles to create something distinctly different. Even a title like "Spanish Reggae," which sounds like something out of world music hell, turns out to be both accurate and not a nightmare, with light flamenco snippets and other electric guitar work from Reilly fed through heavy dub echo over a slow, just menacing enough modern dancehall rhythm. While most of the percussion patterns Reilly creates aren't specifically acid in sound, reflecting more hard-slamming electro and synth-funk from earlier years, there's enough of the cusp-of-the-'90s about everything to show he wasn't dating himself. Keyboard stabs, as on "Fridays," clearly show techno's favoring of stuttering, choppy melodies, while Reilly's own knack for what suits a song best means sometimes it's more gentle acoustica and other times full-on electric shimmer and drive. "Hotel of the Lake, 1990" demonstrates his skills well, with a steady beat and clean, funky guitar and bass work accompanied by whooshing, minimal synth loops and, reappearing throughout the song, a classically Durutti five-note guitar melody with deep echo. Other numbers like the gently dramatic "The Warmest Rain" make Obey the Time another fine Durutti release. The 1998 reissue includes a 1990 dance mix by Together and, in an interesting discographical switcheroo, a moody jungle remix of "My Last Kiss" from 1998's Time Was...Gigantic album called, in a knowing nod to New Order's "The Perfect Kiss," "Kiss of Def."
Ned Raggett / AllMusic

Monday, 25 June 2018

The Durutti Column ‎– Obey The Time (1990)

Style: Abstract, Ambient
Format: CD, Vinyl, Cass.
Label: Factory

Tracklist:
01.   Vino Della Casa Bianco
02.   Hotel Of The Lake 1990
03.   Fridays
04.   Home
05.   Art And Freight
06.   Spanish Reggae
07.   Neon
08.   The Warmest Rain
09.   Contra-Indications
10.   Vino Della Casa Rosso

Credits:
Written-By, Performer, Producer – Vini Reilly
Engineer – Paul Miller (tracks: 1 to 8, 10)
Design – 8vo
Other [Food And Relaxation] – Dry
Other [Hypnosis And Medication] – Sydney Gottlie

Já foi um caso de vida ou de morte para quem respira música — a sua falange de apoio em Portugal, invulgarmente numerosa, que o diga. The Return Durutti Column (1979), LC (82) e Amigos em Portugal (83), discos de culto empilhados ao lado de Closer, Unknown Pleasures e From Gardens Where We Feel Secure, só em Portugal. E talvez no Japão, onde a predilecção maciça por produtos transviados da pop britânica possui tradições que o inimaginável clube de fãs dos Felt (o único...) desde logo confirma.    
O culto provoca • a curto e médio prazo, pelo menos — a cegueira e, no caso muito concreto da música, uma acentuada dureza de ouvido. Daí que talvez nem a ferros se consiga arrancar do mais fervoroso seguidor do guitarrista anti-herói de Manchester o reconhecimento daquilo que nos últimos anos se tomou inteiramente óbvio: que algo se foi perdendo pelo caminho. Não se pode dizer que estejamos perante uma situação de cansaço auditivo, pois tanto o elevado índice de devoção do auditório lusitano como a preservação dos pressupostos da música em causa (concepção atmosférica de sentido feérico e lúdico) tê-lo-ão impedido. A verdade, alojada em camadas mais profundas, parece ser esta: a música de Vini Reilly — sobretudo após a sua passagem pelos estúdios de Paço de Amos — entrou num processo de perda progressiva de consistência quando deixou de ser habitada pela motivação estética e pela pura paixão que, contrariando a sua aparente fragilidade, a distinguiram em pleno tumulto criativo de finais de 70 e inícios de 80.
Em Without Mercy, Circus And Bread e The Guitar & Other Machines — os capítulos, imediatamente posteriores a Amigos Em Portugal e ao ainda brilhante Another Setting —, a simbiose (invulgar nos domínios da pop) entre melodia, improvisação e estruturas rítmicas, resvalou de  uma forma um tanto comprometedora para o território menos auspicioso da gestão de ideias à medida que a energia criativa ia cedendo o lugar a um indisfarçável conformismo estético. A súbita promoção a lugar-tenente de Morrissey, pareceu, a dado passo, mais que uma segunda ocupação em «part-time» visando a liquidez da respectiva conta bancária, a antecipação do destino inevitável de um músico atolado na sua própria desmotivação.
Abordagem do «sampler, inconsequente do ponto de vista estético, The Durutti Column (álbum de 1989, assim mesmo intitulado, ao que se supõe, tendo em, vista a nova clientela adquirida ao lado do ex-Smith) trouxe como novidade os primeiros sinais de vontade de mudança de rumo e, porventura, novas esperanças de revitalização do projecto. Se bem que a consumação de algo esteticamente consistente tenha sofrido novo adiamento. Obey the Time (tomem o titulo à letra) vale pelo que neste momento se apresenta como prioridade fundamental: a confirmação do reacender da chama e a aterragem oficial de Vini Reilly nos anos 90.
Aquilo que se passa nesta nova colecção de exercício de progressão lenta delimitada por duas pequenas peças («Vino Della Casa Bianco» e «Víno Della Casa Rosso»), que se diriam ainda oriundas do primeiro trio de LP, irá — como todos os gestos de mudança — gerar alguma perplexidade no sector ortodoxo dos adeptos dos Durutti Column. Com efeito, a revitalização global do «guitar oriented muzak» de Vini Reilly (e, aqui e além, do velho cúmplice Bruce Mitchell) parece ter sido concebida mediante a incorporação de novos estímulos com a marca da última viragem da década, formando uma camada sobre a qual se repõem em cena velhos jogos contrapontísticos de guitarras (e de guitarra e piano) de progressiva insinuação melódica.
É um baixo invulgarmente poderoso de súbito promovido a pilar do edifício à luz das novas concepções do «house», às quais só terá  permanecido alheio quem muito satisfeito anda com aquilo que tem. É uma reformulação radical da componente rítmica, a denunciar uma estada recente na pista de dança (ele que, ainda há pouco, dizia sarcasticamente ao «New Musical Express»  que «a slow foxtrot» foi sempre o único elemento de dança inerente à sua música). É o inesperado recurso à técnica Jamaicana do «dub» (em «Spanish Reggae»), com a nova arrumação estrutural daí resultante. É, de uma forma global, a articulação de um novo conceito sonoro que passa pela assimilação da noção de «sound system» inventada pelos «disc-jockeys» jamaicanos e consagrada internacionalmente pela equipa Soul II Soul (também ela um ex-«sound system». É, em suma, um rigoroso teste de avaliação dos limites de uma velha devoção, até agora exemplar, e, para os outros, uma proposta de entrada nos anos 90 interessante como tantas outras sem passado histórico. 
Positivamente polémico. Obey the Time é o disco mais estimulante e vivo de Vini Reilly desde 1983.
Ricardo Saló / Expresso