Format: CD, FLAC
Label: Pataca Discos
1. Ahhhhh
2. I ndian Interlude
3. Huzoor
4. Première
5. Guitarras
6. Pink Ponies Don't Fly On Jupiter
7. How Would It Be 1
8. How Would It Be 2
9. L.A.
João Correia - Drums and Percussion
Sérgio Costa - Flute
Ricardo Ribeiro - Bass and Soprano Clarinets
José Maria Gonçalves - Saxophones
Afonso Cabral - Vocals
Margarida Campelo - Vocals
Francisca Cortesão - Vocals
Bruno Pernadas - Composition, Keyboards, Synthesizers, Vocals, Vibraphone and Guitars
Os ouvidos de Bruno Pernadas e todas as suas experiências parecem apontar para uma mistura interminável de influências. Prova disso é o seu disco de estreia a solo, How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? (editado pela Pataca Discos), um trabalho dividido em nove destinos paradisíacos diferentes, através do uso extremamente bem calculado de experiências sonoras que vão desde o jazz ao Space Age-Pop.
Sem quaisquer exageros, Bruno Jorge de Oliveira Pernadas possui já um curriculum vitae bastante recheado e por isso, não era de esperar outra coisa. A sua experiência a solo estreia-se de forma bem sucedida, explorando pequenos desdobramentos de géneros musicais – consequência da herança que traz consigo, fruto dos seus vários trabalhos na cena jazz portuguesa. Composto e produzido pelo próprio, o álbum parece dividir-se em duas fatias distintas e conta com a colaboração de João Correia e Margarida Campelo (pertencentes a Julie & the Carjackers), Afonso Cabral (dos You Can’t Win, Charlie Brown) e Francisca Cortesão (Minta & the Brook Trout).
O single de abertura e previamente conhecido, “Ahhhhh”, surge extremamente bem posicionado já que nos abre portas para a linhagem musical experimental do disco – das notas vocais doces que repetem incessantemente Ahhhhh, ao exercício imposto pelo ritmo afro-beat que se acaba por criar. Abertura esta para o “Indian Interlude”, com ares de conto de fadas, que suspira ardentemente a um universo de colagens e ambiente pop sonhador.
Entretanto, somos transportados para outro destino improvável, o tema “Guitarras”, cujo nome define melhor do que ninguém o que se ouve nos seus quase oito minutos de duração. Exercício que condensa linhas de guitarra a saltitar num jogo instrumental alegre e onde se junta uma espécie de solo de improvisação de xilofone.
A atmosfera em que nos vimos até aqui isolados termina e somos levados para a outra fatia sonora do disco. Isto começa em “How Would It Be 1″, tema que dá início a uma estética mais tímida da obra. Três canções até ao final do trabalho, tratadas com a leveza do açúcar e que nos arrastam para um cenário bucólico e sereno.
How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? surge-nos como um refúgio paradisíaco, tal como dissemos atrás, com canções capazes de brincar com diferentes cenários e sensações, ao mesmo tempo que intensificam as características (e qualidades) musicais de Bruno Pernadas. Um cenário imenso de opções a serem descobertas por quem o ouve, numa obra esculpida de forma criativa e imprevisível, abarcando vários géneros musicais. Um passo mais do que seguro na carreira do músico; um projecto inaugural que queremos, sem dúvida, ver florescer e sentir ganhar mais força para além dos seus próprios limites.
Ana Isabel Palha Rodrigues / punch








