Thursday, 13 June 2019

GNR ‎– Psicopátria (1988)

Style: Pop Rock
Format: CD, Vinyl
Label: EMI

Tracklist:
01.   Pós Modernos
02.   Bellevue
03.   O Paciente
04.   Dá Fundo
05.   Cerimónias
06.   Coimbra B
07.   Efectivamente
08.   Ao Soldado Desconfiado
09.   Nova Gente
10.   Choque Frontal
11.   To Miss

Credits:
Bass – Jorge Romão
Drums, Percussion, Piano – Tóli César Machado
Guitars, Synthesizer – Alexandre Soares
Lyrics By – Rui Reininho
Vocals – Rui Reininho
Music By – Alexandre Soares, Jorge Romão, Rui Reininho, Tóli César Machado

Tal como a rapariga da capa, com Psicopátria os GNR dão um mergulho olímpico rumo à sua consistência como banda. 
Comecemos por colocar em cima da mesa um ditado popular bastante conhecido e utilizado na cultura portuguesa, que serve para início de conversa sobre este álbum – agradar a gregos e troianos. Aparentemente (sem moralizar?), é tarefa impossível para os comuns mortais, e há muitos que a utilizam como desculpa para assim encolherem os ombros e levarem a sua ideia avante. Mas há também quem queira desafiar esta impossibilidade, mostrando que, com afinco e inteligência, seria possível agradar a ambos os povos que habitavam nas margens do Mar Egeu. Nesse ponto se encontravam os GNR em 1986, com vontade de juntar o reconhecimento da crítica especializada com o do grande público, na que será, quiçá, a mais hérculea das tarefas dos fazedores de arte nas suas diversas formas em Portugal. É debate que tem barbas, e, seja nos domínios do cinema, música, literatura, televisão, pintura, escultura, contam-se pelos dedos das mãos quem tenha conseguido subir a esse Olimpo. Psicopátria será um desses casos. 
Enquanto que nos três discos anteriores houve sempre espaço para devaneios, aqui quis-se minimizar esse lado, contraindo-se a vontade de fazer mais canções propriamente ditas. Alexandre Soares tinha perdido o protagonismo (com a sua saída da banda em 82 e regresso pouco depois, mas com estatuto de repescado) e era agora Reininho e Tóli que comandavam o leme (o primeiro ao nível de letras e o segundo ao nível da concepção musical). Tal como o próprio Tóli assume: “No Psicopátria a maior parte das canções são minhas e há a oportunidade de tentar fazer um disco de canções à séria, que se conseguiu muito bem (…) Sentíamo-nos bem a tocar aquilo, funcionava e era bom. Já havia coisas que soavam mais a canção, com cabeça, tronco e membros: Tinha um refrão, uma bridge. Nem sempre o tínhamos conseguido fazer e ali conseguimos.” Eis, pois, o caminho iluminado para um disco marcante do pop rock português. 
O ano de 1986 foi um dos mais importantes para a história portuguesa. Com a entrada na CEE (que já tinha sido demandada pelos próprios GNR, cinco anos antes) o futuro estava já ao virar da esquina e Portugal teria a possibilidade de se tornar moderno. Toda uma catrefada de produtos novos iriam aparecer nos supermercados. Todo um vocabulário novo passaria a ser usado. E os GNR listam isso mesmo na música que abre o disco – “Pós-Modernos” é um hino pop, atirando para cima da mesa os kleenex, a kitchenette, os duplex, o ketchup, o video-club, o joystick, o squash. Claro que o travo de ironia e sarcasmo de Reininho também marcam presença – “Ah! Os pós modernos agarram na angústia / E fazem dela uma outra indústria”, mostrando que talvez (mas só talvez…) os problemas não ficassem todos resolvidos assim. “Bellevue” é um registo mais tranquilo, onde sobressai a capacidade lírica de Reininho com os seus trocadilhos corrosivos – “Era só para brincar ao cinema negro / Os corpos no lago eram de gente no desemprego.” Uma grande música, de uma densidade tremenda. 
A concepção dos discos era, na altura, pensada para o seu próprio formato (vinil), com o lado A e o lado B. Hoje, poucas vezes se pensa nisso, mas a escolha da ordem das músicas era em muito influenciada por este aspecto. A este propósito “Coimbra B”, puramente instrumental, servia de encerramento ao Lado A e agora é simplesmente a sexta música do álbum, antecedendo o single que carregou o disco para o grande público – “Efectivamente”, uma das maiores canções da cancioneiro português. Logo de seguida, outra canção imponente, “Ao Soldado Desconhecido”, ou como fazer um retrato do dilema constante de se ser recruta: 
“Sempre que fui combater rastejei pelo chão
Onde nem a beladona cresce tocando o musgo com a mão
Descarnado de alma, mas mantendo a calma
Dilacerado esforço em vão” 
Em “Nova Gente” pisca-se o olho ao tropicalismo, com laivos de calypso, ao passo que “Choque Frontal” merecia estar na lista dos grandes êxitos da banda. Para fechar, e como não podia deixar de ser, temos resquícios de experimentalismo GNRiano (ou deveria dizer soaresiano?), em “To Miss”, cantada em inglês. 
Após o lançamento de Psicopátria, os GNR atiraram-se de cabeça aos palcos, com ganas de mostrar o álbum a toda a gente. Segundo Reininho, foram mais de 100 concertos, inclusivé em Espanha e França, mas sobretudo chegando às salas grandes do país, os almejados Coliseus. O sucesso chegou antes das auto-estradas. 
Alexandre Pires / Altamont

GNR ‎– Os Homens Não Se Querem Bonitos (1985)

Style: Alternative Rock, Pop Rock
Format: CD, Vinyl
Label: EMI, Producciones Twins

Tracklist:
1.   Sta. Polónia
2.   Sonora
3.   Freud & Ana
4.   Dunas
5.   Sentidos Pêsames
6.   Sete Naves
7.   Made In Oporto
8    Apartheid Hotel
9.   Azraël

Credits:
Bass – Jorge Romão
Guitar, Synthesizer – Alexandre Soares
Percussion, Synthesizer, Accordion, Piano – Toli
Producer, Music By – Alexandre Soares, G.N.R.
Vocals, Lyrics By – Rui Reininho

E ao terceiro disco, mais um delicioso fracasso comercial, mais um disco apreciado pela crítica! Com Os Homens Não Se Querem Bonitos, os GNR faziam o pleno dos extremos. Por um lado palmas, por outro o desinteresse do grande público. A exceção deu-se com “Dunas” e também um bocadinho com “Sete Naves”. O álbum, esse, ainda hoje se ouve com muito gosto e muita satisfação. 
Depois de Defeitos Especiais, disco com título muitíssimo bem esgalhado, os GNR aproximavam-se um pouco mais da pop que os veio a caracterizar um pouco mais tarde. Nesse sentido, o da definição derradeira do caminho a traçar no futuro, Os Homens Não Se Querem Bonitos poderá ser entendido como um álbum de transição, espécie de arma de fogo musical com muitos gatilhos prontos a metralhar em direcção a alvos variados e de diferentes latitudes sonoras. Um desses disparos, uma dessas balas, que não necessariamente perdida, rumou a África, por exemplo. A canção “Apartheid Hotel” é disso um bom exemplo. É um quase-instrumental, ouvindo-se nela a voz dada da mlerifiana Anabela Duarte, num dos momentos mais experimentais do disco. É o penúltimo dos seus nove temas. No derradeiro, nova experiência, desta vez com alguns contornos orientais, se assim podemos dizer. “Azraël”, é esse o titulo da faixa que encerra o álbum, terá incomodado os mais incautos pela aposta da banda em encerrar, mais uma vez, um longa-duração de maneira estranha, embora não tão repleta de avarias. 
A ideia de começarmos este texto pelas canções que finalizam o álbum não é totalmente inocente, até porque elas poderão muito bem ser entendidas como as últimas a desempenhar essa estranha coerência instrumental final que teve início em Independança, passou por Defeitos Especiais e terminou em Os Homens Não Se Querem Bonitos. Tal coisa nunca mais aconteceu, pelo que resolvemos destacar o facto. Mas voltemos a rodela preta para o início do seu Lado A. O disco tem início com “Santa Polónia”, tema pouco mais do que interessante, espécie de “comboio sem apitar”, como por lá se canta. Segue-se a ritmada e esfuziante “Sonora”, canção bem à maneira new wave daqueles já longínquos tempos, a lembrar os sempre saudosos The B-52’s, misturando inglês com castelhano. “Freud & Ana” tem uma pegada mais roqueira, brincado (como sempre) com palavras e expressões do nosso imaginário (“Mão morta / Mãe morta / Vai bater àquela porta”), embrenhando-se depois num xadrez lírico onde se comem cabeças de bispos e de damas à vontade sem regras de Rui Reininho. Depois, para muitos, o disco começa e termina em “Dunas”. Na verdade, dificilmente se encontrará início mais icónico em toda a história do rock português. Bastam aquelas batidas no princípio da música para que todos a reconheçam. Será, eventualmente, o sucesso dos sucessos da banda, e assim continuará de geração para geração. As “dunas” serão sempre os “divãs” do nosso eterno contentamento. “Sentidos Pêsames” é uma bonita balada (gostamos especialmente das inflexões de voz da voz de Rui Reininho, que pontuam a canção de forma muito particular) que não ficou para a história luminosa dos temas best of dos GNR, mas que teria lugar de destaque, se tal coisa houvesse, num worst of de excelência musical que a banda sempre soube produzir. “Sete Naves” é um tema algo datado, embora o baixo forte de Jorge Romão ainda hoje soe bem. Não fosse o “efeito eucalipto” de “Dunas”, “Sete Naves” poderia ter sido um hit discreto de Os Homens Não Se Querem Bonitos. Enfim, talvez tenha sido, mas “Dunas” tudo abafou. Curiosa é ainda a canção “Made In Oporto”, a última gravada a ter a voz de Alexandre Soares no lugar da de Rui Reininho. E, diga-se, é excelente, embora pareça um pouco deslocada de todas as outras, sobretudo se privilegiarmos  uma certa visão de conjunto, o que não parece, na verdade, exercício muito sábio a ter em conta. Ou seja, num disco ainda feito em busca de uma (futura) voz mais própria, a principal riqueza caleidoscópica de Os Homens Não Se Querem Bonitos é essa mesma, a da diversidade criativa. 
Em conclusão, passa-se com os discos, o mesmo que se passa com os homens: não é forçoso que tenham de ser bonitos. Basta, aos discos e aos homens, que sejam bons, que tenham qualidade, como é claramente o caso. 
Carlos Lopes / Altamont

GNR ‎– Defeitos Especiais (1984)

Style: Alternative Rock, New Wave, Post-Punk
Format: CD, Vinyl
Label: Parlophone, Warner Music, EMI

Tracklist:
01.   Desnorteado
02.   I Don't Feel Funky (Anymore)
03.   Piloto Automático
04.   Absurdina
05.   A Última Vaga
01.   Muçulmania
07.   Mau Pastor
08.   Pershingópolis
09.   Quebra-Gelo
10.   Maré Baixa (Instrumental)

Credits:
Bass – Jorge Romão
Guitar – Alexandre Soares
Percussion – Tóli César Machado
Vocals – Rui Reininho
Written-By – Alexandre Soares, Jorge Romão, Rui Reininho, Tóli César Machado

Em 1984, ano distópico por excelência, os GNR lançam um disco sombrio e claustrofóbico cheio de referências pós-punk: uma espécie de Joy Division à Gomes de Sá, metade negrume de Manchester, metade granito do Porto. 
A história dos primeiros anos dos GNR é a história das desavenças estéticas dos seus três fundadores: Vítor Rua, Alexandre Soares e Tóli César Machado. Desta feita, é Rua que bate com a porta, indo Jorge Romão para o seu lugar. A sonoridade do novo disco reflecte esta mudança, substituindo o groove dançante de Independança por um baixo melódico à Peter Hook. Adicione-se uma bateria robótica e uns quantos salpicos de guitarra ácida, e o rock gótico de Defeitos Especiais estará pronto a servir. Não estranhámos: “Bar da Morgue”, do disco anterior, já tinha morcegos na lapela. 
Reininho cataloga Defeitos Especiais como “o nosso disco mais Rock Rendez Vous”, de tal forma este som lúgrube à Bauhaus dominava os meios alternativos de então. “Piloto Automático”, com o seu mantra “vodka, vodka”, tem também o dom de captar os ares do tempo, tornando-se um hino de boémia e transgressão. 
Não se pense, porém, que os GNR se limitam a copiar as referências britânicas de então. O que é interessante na pop portuguesa dos anos 80 é que essa abertura cosmopolita ao que acontecia lá fora era sempre enxertada com uma identidade portuguesa e intransmissível. Veja-se o caso de “Muçulmania”, com a sua citação da amaliana “Canção do Mar”; ou “Pershingópolis”, com o seu piscar de olho ao corridinho algarvio.
Apesar de terem abandonado o experimentalismo radical de “Avarias”, os GNR de Defeitos Especiais são ainda orgulhosamente anti-comerciais, vendendo poucos discos mas recebendo o elogio da crítica. Não se estranha por isso que o encantador single “I don´t Feel Funky (Anymore) tenha sido olimpicamente ignorado pelo grande público. A valsa “Mau Pastor” aponta timidamente os caminhos pop do futuro, mas só a bomba atómica “Dunas”, do disco seguinte, mudaria realmente tudo… 
Ricardo Romano / Altamont

GNR ‎– Independança (1982)

Style: New Wave, Experimental
Format: CD, Vinyl
Label: Som Livre, Edições Valentim de Carvalho

Tracklist:
1.   Agente Único
2.   O Slow Que Veio Do Frio
3.   Dupond & Dupont
4.   Hardcore
5.   The Light
6.   Bar Da Morgue
7.   Independança
8.   Avarias

Credits:
Bass, Guitar, Synthesizer – Vítor Rua
Guitar – Alexandre Soares
Percussion – Tóli César Machado
Synthesizer, Piano – Miguel Megre
Voice, Performer (Sexofone) – Rui Reininho

Independança foi um pequeno OVNI que demorou a aterrar e a ser entendido na história do pop-rock made in Portugal. As dissonâncias e as avarias apresentadas no disco roubaram o discernimento ao público consumidor, e o insucesso comercial foi garantido. No entanto, é um disco importante e histórico. Um marco do início do boom do rock português dos anos 80. 
Com o boom do rock português do início dos anos 80 do século passado, muitas foram as bandas que começaram a debutar. Embora a música elétrica já por cá andasse a batalhar por um espaço próprio desde a década anterior, foi com os eighties que os discos e os sucessos de muitos deles conseguiram impôr-se no panorama musical da época. Se é verdade que esse momento novo teve Rui Veloso como pai (o álbum Ar de Rock, de 1980, inaugurou, de facto, um período importante na expansão da musica rock feita em Portugal), também não deixa de ser verdadeiro o facto de que o progenitor do pop-rock mais clever clever e mais antenado com algum experimentalismo foi assumido pelo Grupo Novo Rock, os GNR do nosso contentamento. O álbum que os viu nascer teve Independança como nome de batismo e destacou-se por ser verdadeiramente novo e inesperado. Fugiu ao estilo do rock mais básico e vulgar feito na altura (sem quaisquer juízos de valor na adjetivação que utilizamos, note-se) e embrenhou-se por caminhos mais sinuosos e vanguardistas. O resultado dessa aposta foi, a curto prazo, o escasso sucesso comercial. No entanto, o tempo veio a dar razão às vontades que terão presidido à sua feitura. Independança é um marco importante e incontornável na história do rock português e um momento único na carreira da banda portuense que agora festejamos no Altamont. 
Independança é um disco bastante atrevido, ousado e corajoso, quando o que importava, na altura em que foi produzido e lançado, era fazer mais do mesmo, Alexandre Soares, Vítor Rua, Tóli César Machado, Miguel Megre e Rui Reininho apostaram em algo diferente e arrojado. O destaque maior vai para o ritmo, para a vertente dancável da música, tudo feito com elevado grau de independência criativa. A junção destas ideias justifica plenamente o título do disco, como é fácil perceber. Apesar de em Independança se encontrar “Hardcore (1º Escalão)”, tema que serviu de single de apresentação do élepê e que viria a ser um clássico do grupo, o disco não teve sucesso comercial, embora a crítica lhe tenha dado a devida importância e reconhecimento. Na verdade, não havia no álbum nenhum “Chico Fininho” que pudesse ser cantarolado por uma multidão crescente de portugueses ávidos de rock cantado na língua de Camões. Dos oito temas originais que dele fazem parte, nem um seguia esse caminho mais comercial, digamos assim. Antes pelo contrário. De temas como “The Light” (belo e soturno como poucos, com estranho e fragmentado início, para depois ceder espaço ao piano e à voz), “Independança” (curto e instrumental) e principalmente “Avarias”, que preenchia totalmente a rodela B do álbum, repleto de alguma loucura e desvario experimental, não se poderia esperar outra coisa que não fosse estranheza e inquietação por parte dos sôfregos consumidores lusos. Foi, nesse sentido, um delicioso tiro nos pés, o que os GNR deram com Independança. Em vez de um simples álbum de tendência pop-rock, fizeram um disco de veia arty bem saliente, onde se nota um ou outro piscar de olhos aos sons dos Joy Division (“Bar da Morgue”) ou Velvet Underground (“The Light”), por exemplo. 
A passagem do tempo, ao mesmo tempo que pode provocar esquecimento, também nos surpreende muitas vezes em sentido contrário. Essa mesma instância arbitrária da duração das coisas, tantas vezes castradora e fúnebre, também pode assegurar vida renascida e imortalidade. Os temas “Agente Único”, “O Slow Que Veio do Frio” e “Dupond & Dupont” são a prova do que dizemos, assim como também aconteceu, de forma ainda mais evidente, com o já referido “Hardcore (1º Escalão)”. 
Independança foi o primeiro passo de uma extensa história discográfica de muitos e bons álbuns, de muitas e belas canções que foram ficando mais hinos do que apenas canções, de inúmeros e fantásticos concertos em terras lusas e até mesmo fora das nossas fronteiras geográficas. Os GNR sempre primaram pelo bem gosto, por vezes inusitado e requintado, um bocado fora da box do entendimento comum. Independança será, talvez, o melhor e mais perfeito exemplo disso. Ainda bem que assim foi. Ainda bem que assim (ainda) é. 
Carlos Lopes / Altamont

Micatone ‎– Ninesongs (2001)

Style: Future Jazz, Drum n Bass
Format: CD, Vinyl
Label: No Zession Record, Sonarkollektiv

Tracklist:
1.   Still In Time
2.   Step Into The Gallery
3.   Untitled
4.   Tranquilo
5.   A Part Of Me
6.   Playmobile Soldier
7.   Traces
8.   Run
9.   Torture

Credits:
Double Bass, Percussion – Paul Kleber
Drums – Tim Kroker
Guitar, Electronics – Boris Meinhold
Producer, Keyboards – Kasar, Mark Klemens
Vocals – Lisa Bassenge
Recorded By, Mixed By – Axel Reinemer