Sunday, 14 April 2019

The Cinematic Orchestra ‎– To Believe (2019)

Style: Contemporary Jazz, Downtempo, Soul-Jazz
GFormat: CD, Vinyl
Label: Ninja Tune

Tracklist:
1.   To Believe
2.   A Caged Bird / Imitations Of Life
3.   Lessons
4.   Wait For Now / Leave The World
5.   The Workers Of Art
6.   Zero One / This Fantasy
7.   A Promise

Credits:
Bass – Kaveh Rastager, Sam Vicary
Double Bass – Kevin Abdella
Drums – Luke Flowers
Guitar – Kevin Abdella, L D Brown
Keyboards – Dominic J Marshall
Orchestra – Metropole Orchestra
Organ – Dennis Hamm
Percussion – João Parahyba
Piano – Aleks Podraza, Dennis Hamm
Saxophone – Tom Chant
Strings – Miguel Atwood-Ferguson
Synthesizer – Dennis Hamm
Vocals – Dominic Smith
Backing Vocals – L D Brown
Performer, Producer, Arranged By, Written-By – Dominic Smith, Jason Swinscoe

I’ve always found the Cinematic Orchestra too pretentious, too austere, a band whose ambitions outran their abilities. With this fourth album, 12 years after their last, that austerity is over. To Believe is heartbreakingly brilliant: a collection of exquisitely assembled songs that appear delicate from a distance before revealing a close-quarters core strength. Band leaders Jason Swinscoe and Dominic Smith have loosely arranged seven lightly jazzy tracks around the themes of belief and what it means to believe. Much as the pair attempt to make movies with their music, the best song has no dialogue: the meandering instrumental Lessons is a glorious balm, nine minutes of murmuring conversation between the players, dominated by Luke Flowers’ gently military drums. It has depth and meaning without context, the ideal soundtrack to a film that doesn’t exist. The sweeping grandeur of A Caged Bird/Imitations of Life is another cinematic collaboration with the always articulate and engaging Roots Manuva, a sort-of sequel to the epic All Things to All Men, and just as good. Every song here could easily be five or 10 minutes longer. A triumph. 
Damien Morris / The Guardian

Joe Harriott And John Mayer Double Quintet ‎– Indo-Jazz Fusions I & II (1998)

Style: Fusion, Free Improvisation, Easy Listening
Format: CD, Vinyl
Label: Redial, EMI, Double-Up, EmArcy

Tracklist:
1.   Partita
2.   Multani
3.   Gana
4.   Acka Raga
5.   Subject
6.   Raga Piloo
7.   "Song" Before "Sunrise"
8.   Purvi Variations
9.   Mishra Blues

Credits:
Alto Saxophone – Joe Harriott
Bass – Coleridge Goode
Drums – Alan Ganley, Jackie Dougan
Flute – Chris Taylor
Harpsichord – John Mayer
Piano – Pat Smythe
Sitar – Diwan Motihar
Tabla – Keshav Sathe
Tambura – Chandrahas Paigankar
Trumpet, Flugelhorn – Kenny Wheeler, Shake Keane
Violin – John Mayer
Composed By, Directed By – John Mayer
Mastered By – Erhard Meldau

Filho Da Mãe ‎– Água​-​Má (2018)

Style: Acoustic, Blues Rock, Experimental
Format: CD, Vinyl, FLAC
Label: Lovers & Lollypops

Tracklist:
01.   Praia
02.   Não Me Voltes Atrás
03.   Os Meus Ombros Chumbaram a Geografia
04.   Nem Chuva, Nem Cães
05.   Não, Não Danço
06.   Perseguição De Bananas
07.   Camelos Nas Levadas
08.   Poncho Como O Vento
09.   Marraram As Ondas, Partiu-se O Pontão
10.   Casa

Credits:
Mastered By – Nuno Monteiro
Producer, Songwriter – Rui Carvalho
Recorded By, Producer, Mixed By – Hugo Valverde

Filho da Mãe já é um sedimento na música portuguesa - ao longo dos anos, o rio que Rui Carvalho evoca com a própria música criou o pós-hardcore dos If Lucy Fell, os caos acústicos de Palácio e Cabeça e o Mergulho no pouco convencional, não esquecendo ainda colaborações com artistas como Ricardo Martins. Apesar da jornada ter sido longa e variada, o guitarrista de Lisboa regressa à complexidade que usou para fazer o seu primeiro álbum a solo, Palácio, e infunde-lhe uma dose extra de americana e primitivismo. 
Agua Má - o resultado de uma residência na Madeira - é já o quarto álbum de estúdio que Filho da Mãe edita em nome próprio em apenas 7 anos e revela-se como um exercício mais sóbrio sobre velhas tendências. Melodias e harmonias bem pensadas são reforçadas por uma produção minimal, em que as respirações que pautam e marcam o compasso humano de cada tema são tão musicais como a música em si. Rui Carvalho continua a impingir a sua impaciência musical nas pequenas variações que incute às frases que constrói à volta de cada tema, sendo possível, como sempre, respirar a mesma substância que certamente também terá inspirado Norberto Lobo, suada pelos grandes nomes da guitarra primitiva de John Fahey, Robbie Basho e Sandy Bull, entre outros.

Surpreendentemente, a empunhar o típico instrumento mais cliché possível e a fazer apenas uso dele, Filho da Mãe consegue ser ainda dos artistas portugueses mais refrescantes da atualidade, não precisando de esquemas complexos ou de sonoridades caricatas para fazer render as 6 cordas que enchem salas e corações. Por todo o disco há uma sensibilidade musical característica, ressoando ao logo da primeira metade de Água Má. Somos levados por linhas orelhudas que, por breves instantes, se ausentam para abrirem desarmonias - um caso catedrático é "Não, não danço", com uma melodia quasi-pop, a tornar imprevisível a agradável sensação de estranheza que acordes mais dissonantes causam. 
"Perseguição de bananas" marca a entrada no lado mais ambicioso do disco. Abandona-se o pop mas retém-se a sensibilidade, com o "pós-folk" de "Camelo nas Levadas", o dedilhar incessante e incansável de "Poncha como o vento", e as reverberações exageradas e sinuosas de "Marraram as ondas, partiu-se o pontão", uma epopeia em menos de 7 minutos àquele que é Filho da Mãe - um tema que nos deixa ao abandono para mais tarde nos vir buscar, um tema que é perder para de novo encontrar, um tema que castiga para mais tarde abraçar e que se destaca como o melhor momento deste disco. De uma maneira pouco comum, "Casa", a última "música" do disco é talvez a que nos soa mais familiar, uma gravação de campo com lugar que chegue para o íntimo. 
Como não há maneira de o pôr sem soar bajulador, digo-o de uma só vez: este é o melhor trabalho que Rui Carvalho, em todas as suas incarnações, produziu. É simultaneamente sensível e agressivo, com uma premonição sobre-humana para saber o que é preciso em cada momento para que as frases musicais se concretizem em temas concretos. Esta água pode não ser boa de nome, mas faz-nos tão bem. 
thresholdmagazine.pt