Sunday, 4 November 2018

Telectu ‎– Evil Metal (1992)

Style: Experimental
Format: CD
Label: Área Total

Tracklist:
01.   Untittled
02.   Untittled
03.   Untittled
04.   Untittled
05.   Untittled
06.   Untittled
07.   Untittled
08.   Untittled
09.   Untittled
10.   Untittled
11.   Untittled
12.   Untittled

Credits:
Engineer, Mixed By – Vitor Rua
Executive-Producer – Carlos Cabral
Producer – Telectu
Guitar, Performer Synth, Electronics – Vitor Rua
Guitar, Soprano Saxophone – Elliott Sharp
Performer, Composed By – Elliott Sharp, Telectu
Electronics (Workstations W30 And ML, Breath Controllers Casio E EWI 200), Synthesizer, Electronics – Jorge Lima Barreto

Telectu ‎– Camerata Elettronica (1988)

Style: Abstract, Contemporary Jazz, Minimal, Ambient
Format: Vinyl
Label: Ama Romanta

Tracklist:
A1.   Zingaro's Tune
A2.   Sasa Slow Fox
A3.   Jazz Dell'Arte
A4.   Casino
B1.   Very Good Vibes
B2.   Jazz-Off/Caravan
B3.   Picnic
C1.   Musica Totale
C2.   Arepo Il
C3.   Arepo Ill
D1.   One For Varga
D2.   Jazz-Off/In Walked Bud
D3.   Flutrams

Credits:
Engineer – Vitor Rua
Producer – Telectu
Sampler, Bass, Electric Guitar, Vibraphone – Vitor Rua
Sampler, Brass, Alto Saxophone, Tenor Saxophone, Soprano Saxophone, Flute, Trombone, Vibraphone, Piano , Drums – Jorge Lima Barreto

Telectu ‎– Belzebu (1983)

Style: Avantgarde, Experimental
Format: Vinyl + CD
Label: Hozulam

Tracklist:
1.   Rotas
2.   Opera
3.   Temet
4.   Arepo
5.   Sator

Credits:
Performer – Jorge Lima Barreto, Vitor Rua
Producer – Luis Carlos, Telectu

«Há vidas, e não das menos patéticas, que são uma longa e só hesitação. Consomem-se sem nunca arder», escreveu Eugénio de Andrade no catálogo de uma exposição dos anos 1970. Nesta altura, germinava no Porto um movimento cultural que contrariava o atraso cultural da cidade e do País e a história deste disco é, de certo modo, a história de duas pessoas que eram muito mais do que Portugal era na altura. 
Em 1982, Vítor Rua liderava os GNR e a banda estava confortavelmente instalada no pop-rock nacional. Jorge Lima Barreto foi para o Porto ido de Vinhais e depois para Lisboa, à procura de espaço para um pensamento inconformado e vanguardista. Conheceram-se através de Rui Reininho (com quem Lima Barreto gravou o LP “Anarband”). Rua, ainda nos GNR, mas já com uma vontade de experimentação, alimentada por Barreto, lidera a gravação de “Independança”, o primeiro álbum da banda, que é um disco arrojado para a sua época (em contexto europeu, que não só nacional). Numa sessão de improvisação (Rua, Megre, Reininho, Toli) gravam o tema emblemático desta edição: “Avarias”, com quase 30 minutos (ocupava integralmente o lado B do LP) é uma revolução no pop-rock e estragou os GNR; Rua queria continuar a explorar este filão, enquanto o resto do grupo hesitava em abandonar o “Portugal na CEE”. 
«Demitidos» os GNR (que continuarão sem ele, arrastando um processo legal), o então baixista forma os Telectu com Jorge Lima Barreto (o nome do grupo vem de um poema de Eugénio de Melo e Castro). O primeiro disco, “Ctu Telectu” (então em quarteto), deu continuidade à experiência de “Avarias”, com Toli (GNR) na bateria, Rua na guitarra, Lima Barreto no sintetizador e “Dr. Puto” na voz. Depois deste arranque que ainda pode ser referenciado no art-rock, os Telectu abandonam este modelo e partem para uma música diferente, na qual a electrónica desempenha um papel fundamental. Lima Barreto introduz o “minimal repetitivo”, que mais do que um neologismo é uma nova música minimal que reconhece que o “minimal” (termo inglês aplicado a Steve Reich, Philip Glass, etc.) não tem de ser repetitivo (La Monte Young, Terry Riley) e que o “repetitive” (termo francês) não é necessariamente minimal (Louis Andriessen, Arvo Pärt). 
“Belzebu” (1983), editado pela Cliché Música de Rui Pavão, introduz ao País uma música intelectualizada e feita de ciclos de repetições na guitarra e arpejos no sintetizador. Unidades electrónicas repetitivas (em estúdio, mudando frequentemente de tonalidade ao vivo) interceptam-se com sequências periódicas na guitarra. Os arpejos de sintetizador marcam uma música quase dançável e a guitarra de Rua constrói uma segunda voz que acrescenta uma melodia à estrutura repetitiva lançada pelo sintetizador. Assim, mais do que música, “Belzebu” é a invenção musicográfica que mescla os processos minimais criados no final da década de 1960 e desenvolvidos por Glass e Reich no final da de 70 com a improvisação e uma ideia vanguardista de jazz. Lima Barreto era dos poucos, na altura, que conheciam e defendiam os músicos que hoje mesmo os mais conservadores aplaudem: Keith Jarrett, Ornette Coleman, Albert Ayler, Sun Ra, etc. 
Este “Belzebu” é a primeira obra minimalista feita em Portugal. O disco resulta de aproximadamente 30 concertos em meio ano e de uma teorização de Jorge Lima Barreto. É, por isso, um trabalho muito sério, recorrendo à tecnologia mais avançada da altura (Roland Juno-6, Yamaha CS-30, Drumatix, Roland 808), tanto usada de forma sistemática (ensaiada e testada) ou livre (a marimba gravada numa improvisação enquanto JLB ouvia Ornette num “walkman”), numa interpretação vaga da ideia de minimal-jazz-rock. 
O público português é por vezes pequenino e, tal como Manoel de Oliveira será sempre lento e “chato”, os Telectu ficaram para sempre “minimais”, apesar de terem abandonado este caminho pouco tempo depois desse primeiro disco. Entretanto, o País cresceu e desenvolveu-se e há uma nova geração mais curiosa e capaz, para quem esta música, que na altura era tão avançada e estranha, soa agora serena e interessante. “Belzebu”, percebemo-lo hoje, 35 anos depois, é um dos mais importantes documentos da música electrónica e experimental portuguesa. Foi reeditado em CD pela AnAnAnA de Paulo Somsen, numa caixa de cortiça difícil de encontrar e cara. O vinil original começou a cavalgar preços no Discogs e hoje são precisos mais de 100 euros para o comprar, e a edição em CD também é raríssima. Assim, é com prazer que vemos chegar esta primeira reedição em vinil que dá nova vida a esta música e a disponibiliza a preços decentes para os ouvintes. 
Nota sobre o restauro áudio e visual para esta edição: «Esta reedição de Belzebu apresenta o LP como ele deveria ter saído na época: capa a preto-e-branco e o áudio com “brilho” (o original tem poucos agudos e está muito “embaciado”), sem perder “corpo”», explica Vítor Rua. As alterações na masterização foram feitas a partir das bobinas originais e realizadas no Dim Sum Studio por António Duarte, sob supervisão do músico. Foi ainda recuperado o “Separador Belzebu”, achado quase sem querer numa cassete e fornecido à parte, num CD, incluso com o vinil. Foi retirado o “reverb” à gravação, uma ideia do maestro Jorge Costa Pinto que nunca agradou ao grupo. Como refere Rua, esta reedição é, na realidade, a «edição original», no sentido de que é a que «cumpre todos os requisitos pretendidos pelos Telectu: do som à capa». 
O restauro gráfico digital foi feito a partir dos originais (capa, “labels” e “inner sleeve”) e com o cuidado de repor um revés da história: o original entregue por Melo e Castro era a preto-e-branco, mas no final do processo de impressão surgiu a ideia de introduzir uma cor de fundo. As limitações técnicas e os atrapalhos gráficos próprios de 1983 fizeram com que essa cor tivesse saído um cinzento-castanho-cor-de-burro-quando-foge. Assim, em conjunto com Vítor Rua, foi tomada a decisão de repor a intenção original, vítima de uma experimentação dos anos 80 que não correu bem.
Gonçalo Falcão / Jazz.pt

Tenderlonious featuring The 22archestra ‎– The Shakedown (2018)

Style: Jazz-Funk, Afrobeat, Latin, Hip Hop
Format: CD, Vinyl
Label: Inpartmaint Inc., 22a

Tracklist:
1.   Expansions
2.   Yussef's Groove
3.   Togo
4.   SV Interlude
5.   The Shakedown
6.   Maria
7.   You Decide
8.   SV Disco
9.   Red Sky At Night

Credits:
Bass – Fergus Ireland
Drums – Yussef Dayes
Keyboards – Hamish Balfour
Percussion – Jeen Bassa, Konrad, Reginald Omas Mamode IV
Producer, Flute, Synthesizer – Ed Cawthorne

In Britain, the incidence of self-taught jazz musicians has declined dramatically over recent decades. Jazz-studies programmes have mushroomed in colleges and more and more young players have been signing up to them. Successful stylists of earlier eras, who may have studied informally with an older musician but who learnt most of their art on the bandstand, increasingly belong to the past.  
Ed "Tenderlonious" Cawthorne is among a handful of autodidacts who have bucked the trend. He spent much of his early childhood abroad (his father was in the military), and music lessons did not figure in his school curricula. As a teenager, he happened on records by Yusef Lateef and John Coltrane and, inspired by a Lateef album cover, bought a soprano saxophone he saw in a shop window and taught himself to play. He later taught himself the flute. By that time an in-demand DJ, spinning jazz, broken beat and deep house in London clubs, going to college did not figure in his plans.  
In 2018, Cawthorne is one of the musicians blowing new life into the London jazz scene, alongside a host of exciting players which includes saxophonists Shabaka Hutchings and Nubya Garcia, trumpeters Yazz Ahmed and Dylan Jones, drummer Moses Boyd, and keyboardists Joe Armon-Jones and Kamaal Williams. Cawthorne has his own label, 22a, and two bands, including the 22archestra, who are featured here. Like that of his peers, Cawthorne's take on jazz is a hybrid, involving hefty infusions of hip hop and hip hop-derived styles, and like Kamaal Williams, he is at the beat-centric end of the new-jazz spectrum.  
On The Shakedown, the core of the 22archestra is keyboardist Hamish Balfour, bassist Fergus Ireland and onetime Kamaal Williams collaborator, drummer Yussef Dayes. When building his arrangements, Cawthorne has to employ unconventional methods. "I was never educated talking about music as a diminuendo or crescendo," he said in a recent interview. "So for me it's about describing the music [to the band] as if I was writing it for a film. Like 'we're in some alleyway and it's dimly lit and there are a couple of shady characters,' or 'you're walking down the beach and you're trying to play it cool and puff your chest out.' And they laugh, because they don't hear that normally."  
But it works. The Shakedown is one of a dozen or so albums to have been released in Britain in late 2017 and early 2018 that are radically redefining jazz. Also prominent among them are Shabaka Hutchings's Sons of Kemet's Your Queen Is A Reptile (Impulse!), Joe Armon-Jones's Starting Today (Brownswood), Kamaal Williams's The Return (Black Focus), Yazz Ahmed's La Saboteuse (Naim) and the various artists showcase We Out Here (Brownswood), all previously reviewed here. Jazz is on a roll in Britain and, boy, it is an exciting ride.
Chris May / All About Jazz