Monday, 16 July 2018

Johnny Cash ‎– The Mystery Of Life (1991)

Style: Country, Country Rock
Format: CD, Vinyl, Cass.
Label: Mercury Nashville

Tracklist:
01.   The Greatest Cowboy Of Them All
02.   I'm An Easy Rider
03.   The Mystery Of Life
04.   Hey Porter
05.   Beans For Breakfast
06.   Goin' By The Book
07.   Wanted Man
08.   I'll Go Somewhere And Sing My Songs Again
09.   The Hobo Song
10.   Angel And The Badman

Credits:
Steel Guitar – Lloyd Green
Ukulele – Jack Clement
Accordion – Joey Miskulin
Acoustic Bass – Roy Huskey Jr., Steve Logan
Acoustic Guitar – David R. Ferguson, Jack Clement, Jim Soldi, Johnny Cash, Kerry Marx, Mark Howard, Marty Stuart
Dobro – Jack Clement
Drums – Jody Maphis, Kenny Malone, W.S. "Fluke" Holland
Electric Bass – Jimmy Tittle
Electric Guitar – Jim Soldi, Kerry Marx, Mark Howard (7), Marty Stuart
Fiddle – Mark O'Connor
Horns – Bob Lewin, Irv Kane, Jack Hale, Jr.
Keyboards – Joey Miskulin
Mandolin – Jamie Hartford, Mark Howard (7), Marty Stuart
Percussion – Jody Maphis, Kenny Malone, W.S. "Fluke" Holland
Piano – Earl Poole Ball, Joey Miskulinnt
Remastered By – Suha Gur

Haveria fortes motivos para entender como um gesto amigo de condescendência as palavras que Jane Carter Cash: — a segunda mulher do cantor do Arkansas e elemento da lendária instituição The Carter Family — assina na contracapa do novo álbum de Johnny Cash: «Ao ouvir The Mystery Of Life, senti regressar as emoções de há muitos anos quando conheci este homem em 1956». O penúltimo LP para o mercado internacional, Water From The Wells Of Home, gravado há cerca de três anos em clima de celebração nostálgica de fim de festa bem regada, mostrara-nos o outrora grande Johnny Cash entregue à partilha indolente de memórias dos tempos-que-já-lá-vão-e-nunca-mais-hão-de-voltar com velhos companheiros de combate convocados para o efeito. O típico disco de fim de carreira, aspecto que, ironicamente, ganhava uma dimensão quase dramática pelo contraste involuntário com ele estabelecido pela vigorosíssima homenagem da nova geração ao autor de «Five Feet High And Risin'» em 'Til Things Are Brighter («gravado no mesmo ano por um punhado de dólares» para o combate ao vírus da sida). 
Ouvido o novo disco, as palavras de June Carter não só ganham o seu verdadeiro sentido como parecem até pecar por defeito, ao mesmo tempo que lhes depreendemos nas entrelinhas o olhar de desencanto com que os — como ela — puros e duros da música country terão contemplado tão longo período de amolecimento na carreiro do  «homem de negro». Um simples estalar de dedos parece ter sido quanto bastou para que Cash tivesse passado uma esponja sobre anos menos dourados e produzido um disco que — embora com reduzido impacto resultante do «ghetto» em que ainda vive a country no plano internacional — representa na sua obra o mesmo que New York representou na de Lou Reed, Ragged Glory na de Neil Young e No Guru No Method No Teacher na de Van Morrison — recusa da morte, regresso à luta, reabilitação. Um baixo a galope sobre duas únicas notas, guitarras voando a grande altitude e a melhor voz de duro da historia (John Wayne incluído) reduzindo toda a oposição a cinzas por meio de canções que são verdadeiros argumentos cinematográficos, de um ou outro épico revisitado («Wanted Man») e de humor quanto baste («beans for breakfast once again...»). Grande álbum e uma lição que os que julgavam apreciar «dirty country» não irão esquecer tão depressa.
 Ricardo Saló / Expresso (1991)

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