domingo, 3 de junho de 2018

The Casino Royal ‎– Dolce Vita (2009)

Style:Future Jazz, Downtempo
Format: CD, Vinyl, Digital
Label: Mole Listening Pearls ‎– mole090-2

Tracklist:
01.   Deluxe Casino Royal
02.   The Spy
03.   I Can't Get Free
04.   Cold Morning
05.   Another Sunday Morning
06.   Eletric Bambolina
07.   Vous Maimez
08.   It's Alright
09.   Don't Play With Me
10.   Now That I'm Blond
11.   Lonley Player
12.   Mr. Millionaire
13.   Take The Wind
14.   Why Can't We Go Away
15.   I'm Looking Back

Credits:
Mastered By – Pedro Janela
Producer, Written-By – Pedro Janela
Producer, Written-by [Together With] – Antonio Olaio (tracks: 10), Marisa Mena (tracks: 3, 6, 8, 9, 11, 12, 14)
Vocals – Marisa Mena

Portugal é, de novo, a 'terra do fado'. E será uma questão de elementar justiça reconhecer como o ressurgimento da velha forma de expressão pela mão de uma plêiade de novos estilistas lhe vale, por fim, um estatuto situado muito acima do vetusto bilhete postal para projecção de uma imagem fictícia além-fronteiras ou para desfrute in loco do turista a braços com a desconstrução de uma sardinha. Mas uma questão - não menos antiga - subsiste: sem que o fado permaneça imbuído do imaginário da 'pequena tragédia de viela', onde pára a banda sonora da 'boa vida'? E não será de admirar se a pergunta for repetida no final da audição do álbum de estreia do projecto de Pedro Janela. Mesmo por quem considere ter passado a última hora mergulhado num genuíno banho de espuma. Será porque a condição de melómano não é uma pele que se dispa com facilidade para permitir a emergência de uma personalidade criativa imune ao ideário alheio. Ou porque o triunfo de uma noção de lazer que tem no coma alcoólico a sua ideia de redenção também não facilita muito as coisas. 
Seja qual for a razão, "Casino Royal" ergue-se como o pastiche do triângulo easy listening-soundtrack-library da Londres dos swinging sixties que se adivinha na escolha do episódio atípico da série "James Bond" para nome da operação (devendo notar-se que, por uma vez, soaria a falso cantar na língua-mãe, já que de reinventar uma realidade estética de além-Mancha se trata). E se não se insinua nem se limita a existir mas se ergue mesmo é porque não terá brotado de terras lusas outra manifestação de fascínio por uma imagem idealizada do prazer mundano dotada de rigor para medir ombros com o respectivo paradigma musical. É verdade que Marisa Mena não anda longe da cópia perfeita de Shirley Bassey e que, por vezes, parece cirandar pelo cenário de "Get Carter" às ordens de Roy Budd. Mas não serão muitos os salteadores britânicos da arca do prazer perdido aos quais se tenha ficado a dever o engenho de Janela no cruzamento de substância narrativa, leveza de expressão, invenção melódica, luxúria orquestral e atitude lúdica num quadro estético regido pela especificidade do novo milénio. 
Ricardo Saló / Expresso

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