Monday, 18 June 2018

I'm Not A Gun ‎– Everything At Once (2003)

Style: Abstract, Future Jazz, Post Rock
Format: CD, Vinyl
Label: City Centre Offices

Tracklist:
01.   Jet Stream
02.   Frequent Syndrome
03.   These Thoughts Break
04.   Long Division
05.   Monovision
06.   Make Sense And Loose
07.   Search For Sleep
08.   Drunken Anecdotes
09.   Dazed In The Moment
10.   Vacant Sky
11.   Flash Bang Imagery

Credits:
Guitar, Bass – Takeshi Nishimoto
Guitar, Drums, Bass, Recorded By, Mixed By – John Tejada
Written-By, Producer – John Tejada, Takeshi Nishimoto
Mastered By – Loop-o
Photography By – Markus Knothe
Cover – Aesthetic Investments

O projecto I’m Not A Gun emana um tiro à queima-roupa que segue as pegadas dos discos anteriores da City Centre Offices (onde podemos encontrar, entre outros, Opiate e Denzel + Huhn) . “Everything at Once” é a eminente alvorada da dupla Tejada/Nishimoto que decidiu refugiar-se nos “relaxes” de fim de tarde para produzir um disco viajado: a Los Angeles de Tejada, a Fukuoka (Japão) de Nishimoto e a Berlim da City Centre Offices misturam-se num fértil cruzamento de referências.
Com dezenas de singles (mais de quarenta!) editados e formação clássica, John Tejada costuma estar associado ao techno californiano (como Dj, remixer, produtor, ou dono de pequenas editoras), à electrónica, à bateria e à guitarra. O japonês Takeshi Nishimoto é conhecido essencialmente como o guitarrista de excepção que é (o que já lhe valeu avultadas distinções) muito devido ao seu ar multifacetado que o faz trabalhar frequentemente na música clássica, jazz e electrónica. A colaboração entre os dois é por isso um importante e inovador desenvolvimento (no conteúdo e na forma) de ambos os músicos numa área em que não costumam trabalhar frequentemente. Tejada ficou encarregue das programações, bateria e guitarra, enquanto que Nishimoto ficou com o baixo e (também) com a guitarra. 
“Everything at Once” é para muitos o eco desenvolvido do som que já ficou conhecido como o de Chicago, mas a verdade é que se estende e transforma muito para além desse estereótipo. E podia ser apenas jazzrock com pitadas de folk music, mas não, é mais do que isso. É um disco orgânico em terra electrónica. É a experimentação dos instrumentais descontraídos com recurso aos instrumentos rock clássicos (e por isso mesmo, cada vez menos utilizados) e uma abertura de mente em relação a uma música ambiental simultaneamente livre e autónoma. Mas também pode ser menos do que isto. Pode chegar a ser enfadonho e a conter uma monotonia sonolenta. Chegar a pedir mais e a ficar-se pelo mesmo. Mas não, também não será bem assim. “Everything At Once” é, afinal, um conjunto de temas onde se distinguem o inicial “Jet Stream”, o jazz-indie-folk “Search For Sleep” ou “Long Division“ mas onde poderia ficar de fora, por exemplo, “Make Sense and Loop”. Não que este seja um mau tema, mas a sua saída asseguraria uma continuidade e conformidade maior ao álbum, que o beneficiaria em muito. Este não é um daqueles discos que o tempo se encarregará de apontar como uma marca, mas não deixa de ser interessante assistir a um certo bel-prazer da dupla Tejada/Nishimoto ao fazer música assim. 
A arquitectura rítmica e o consequente jogo guitarra/bateria/baixo são explorados de forma eficaz, e muitas vezes com enorme sentido de correspondência. Vagueando por deliciosas improvisações instrumentais e texturas sonoras de primeira água, este disco deixa claro que o jazzrock, ou também aquilo que se convencionou chamar indietronica, consegue continuar a mostrar novas perspectivas deixando de lado algumas “utopias” recentes sobre tudo o que gira em torno de Chicago.                                        
Tiago Gonçalves / bodyspace

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