Wednesday, 11 October 2017

Sudden Sway ‎– Ko-Opera (1990)

Style: Leftfield, Downtempo, Synth-pop
Format: CD, Vinyl
Label: Rough Trade, Nuevos Medios

Tracklist:
1.   Yves St. Raisa (League Of The Unfashioned)
2.   Slumberlands Great Story Of Devotion (League Of The Incomplete)
3.   Faerie Liquidateur (League Of The Violated)
4.   Junior Showtime (League Of The Uninformed)
5.   Klub Londinium 20-30 (League Of The Delirious)
6.   BeJamboree Jam (League Of The Nouveau Poore)
7.   Byron Chocolatheoria (League Of The Postal Modernists)
8.   18th Anniversary Of Amazement Day (League Of The Disappointed)

Credits:
Producer – Sudden Sway
Written-By – Sudden Sway
Já em Dezembro de 1983, em entrevista ao New Musical Express, não era da forma mais prosaica que os então três elementos deste obscuro projecto — braço musical de um tal Conceptat Organization — antecipavam aquilo que os iria ocupar a partir daquele instante. Nada menos que «trocar a técnica tradicional de gravação por canções que criem um equilíbrio entre as formas intuitiva e estrutural de conhecimento e ofereçam um sistema piramidal de retribuição». Seis anos volvidos, o que resta do trio inicial anuncia o seu novo álbum como «uma análise do aparecimento de novos agrupamentos sociais e grupos de pressão no quadro do declínio dos padrões tradicionais de resistência». Se estes primeiros indícios parecem insinuar o regresso de uma época em que a pop ambicionou ser muito mais do que na realidade é e em que o disco pop normal se intitulava Tales From Topographic Oceans, a circunstância do vocalista apresentar trágicas semelhanças tímbricas com o seu homólogo dos Supertramp completa um quadro provisório que, a conter algum convite, sugere que não nos afastemos demasiado da nossa colecção de clássicos pop que consagram a imbatível fórmula «boy meets girl». E, no entanto, permitamme que vos previna quão crasso seria o nosso erro se, neste caso particular, batêssemos em retirada ao primeiro arremedo de pretensão ou diante daquilo que não passa de mero acidente no labor da Mãe Natureza. Voltando ao NME, o semanário britânico, por uma vez nos últimos tempos, terá acertado na «mouche» ao descrever a música contida em Ko-Opera como «tensions between mechanical menace and smalltown serenity». É, de facto, caminhando descalços sobre as brasas de um conflito estrutural e cultural de resolução problemática (senão impossível) que os Sudden Sway se propõem compor um retrato perverso (a começar pelas próprias estruturas musicais em confronto) deste estranho mundo de fim de século, a meio caminho entre realidade e ficção, de derrocadas súbitas de muros e regimes, de abraços efusivos entre Leste e Ocidente, entre música e combate ecológico (música clássica no salvamento de baleias no Árctico), entre' música e combate militar (a música de Hendrix no cerco a Noriega) e entre moda e política (mantenham o Telejornal debaixo de olho) e de fricções surdas entre agentes imobiliários e poetas do quotidiano, entre maiorias silenciosas e minorias activas, entre «safe sex» e «acid parties». Retrato irónico cuja eminente mordacidade de imediato se vislumbra em títulos (e subtítulos) como «Yves St. Raisa», «Klub Londinium 20-30/League Of The Delirious», «BeJambóree Jam/League Of The Nouveau Poore», «Faerie Liquidateur», «Byron Chocolatheoria/League Of The Postal Modernists» e «18th Anniversary Of Amazement Day/League Of The Disappointed». Aparentemente, Ko-Opera arrisca a sua sorte no mesmo território de cruzamento musical e cultural em que Nicholas Currie/Momus ergueu, pedra sobre pedra, a glória que o excelso Don't Stop The Night não deixará tombar tão cedo no esquecimento. Uma observação mais demorada revelar-nos-á, todavia, que o terrorismo selectivo de Currie (a estratégia de encenação peça a peça que faz corresponder a cada texto ou história o ambiente musical que a situação exige) foi aqui preterido em favor de uma prévia definição global de uma atmos-era da qual cada tema se encarrega de encenar numa nuance particular. Grosso modo, trata-se de estabelecer os laços de uma relação acrobática mas duradoura entre a variante «ambient house» (limpa dos trejeitos que hoje lhe valem a condição de fenómeno passageiro) e uma leitura não muito fiel aos cânones da típica canção pop de «art-school» do período clássico do psicadelismo (algures entre Syd Barrett e a fase pop de Brian Eno). Afinal, por meio da fixação no fenómeno actual de músicos brancos em fuga em direcção à pista de dança, visa-se a criação do complemento cénico/sonoro para a vaga conceptual de fundo que atrás se expõe. E pela mera pretensão (jamais enunciada mas subentendida) se ficaria, também, esta outra linha de força se Ko-Opera não fosse arrastado para o domínio dos acontecimento musicais de relevo por um domínio rigoroso de certas noções fundamentais como arquitectura sonora (para além da precisão na planificação da estratégia global, a manipu-lação engenhosa de todo o tipo de elementos, em particular «samples» de vozes) e atmosfera e por um controle do vocabulário pop (misto de serenidade e de explosões abafadas, como um equivalente do «quiet storm» negro) que não es-tranha vindo de quem já gravou a mesma canção em oito diferentes estilos (single Sing-Song, 1986). Brilhante. Uma das experiências pop mais estimulantes dos últimos tempos e a primeira imagem nítida da aldeia global obtida a partir da aldeia natal. 
Ricardo Saló / Expresso (1990) 

Sudden Sway ‎– Spacemate (1986)


Tracklist:
The Past
A01.   The Total Love Plug?
A02.   Ah Metal Blossom ?
A03.   Hey Hey Extra Guys?
A04.  Father I Do (Digga Do)?
A05.   Past The Program?
The Present
B01.   Sing Song
B02.   Drink Xtravite
B03.   Get Fartherized
Somewere Else
C01.   O Copper Eskimo
C02.   Fatherise
C03.   The Complete Electrician
The Future
D01.   Omnispend Sway
D02.   Rockyswaystuf
D03.   The Great Smell Of Sway
D04.   Romeoplan
D05.   Dial-A-Change-Sway
D06.   Pro-Defense League
D07.   Official Sway Look
D08.   Project Program
D09.   Swayness The Jingle
D10.   Father's Eyes